Ao longo de suas cinco edições, o Fórum Paranaense de Cannabis consolidou-se como um espaço de diálogo entre ciência, sociedade civil e poder público. Em Toledo, o encontro reforçou que as discussões sobre cannabis medicinal vão além de aspectos jurídicos e legislativos: tratam do acesso à saúde, da qualidade de vida e do reconhecimento das […]
Ao longo de suas cinco edições, o Fórum Paranaense de Cannabis consolidou-se como um espaço de diálogo entre ciência, sociedade civil e poder público. Em Toledo, o encontro reforçou que as discussões sobre cannabis medicinal vão além de aspectos jurídicos e legislativos: tratam do acesso à saúde, da qualidade de vida e do reconhecimento das necessidades de milhares de pessoas que buscam alternativas terapêuticas respaldadas pela pesquisa científica e pelo cuidado humanizado.
Números oficiais mostram que o Paraná tem mais de 500 pesquisadores, distribuídos em diversas universidades, aprofundando estudos sobre a Cannabis – Fotos: divulgação / Unioeste
A quinta edição do fórum registrou 467 inscritos, com a participação de mais de 300 pessoas presencialmente ao longo dos dois dias de programação. A transmissão online pelo YouTube ampliou o alcance do evento, somando 967 visualizações, demonstrando o crescente interesse da sociedade pelo tema.
Mais de 300 pessoas acompanharam de forma presencial os trabalhos do Fórum Paranaense, em Toledo
O deputado destacou o investimento do estado no desenvolvimento de pesquisas sobre a cannabis nas universidades estaduais. Ele citou que, de acordo com dados da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do nosso estado, temos mais de 500 pesquisadores, distribuídos em diversas universidades, aprofundando estudos sobre a Cannabis.
“A luta pelo acesso aos medicamentos à base da planta tem um lema muito importante: ‘Não espere precisar para apoiar’. Muitas famílias enfrentam doenças como Alzheimer, Parkinson, fibromialgia, dores crônicas e os desafios dos tratamentos oncológicos, e a Cannabis pode contribuir significativamente para o alívio desses pacientes”, disse.
Goura também lembrou que a Alep aprovou e promulgou a Lei Pétala, de sua autoria, garantindo acesso a medicamentos à base de Cannabis para pacientes com Síndrome de Dravet, Síndrome de Lennox-Gastaut e Esclerose Tuberosa.
Durante o evento, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) anunciou que sediará o 6º Fórum Paranaense de Cannabis, em Curitiba.
Por trás das discussões sobre legislação, pesquisa científica e políticas públicas, existem histórias marcadas pela busca por dignidade e qualidade de vida. No 5º Fórum Paranaense de Cannabis, foram justamente essas histórias que deram sentido ao encontro.
Reunindo pacientes, familiares, profissionais da saúde, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e autoridades políticas, o evento transformou a universidade em um espaço de escuta, produção de conhecimento e reflexão sobre o potencial terapêutico da cannabis medicinal e os desafios enfrentados por quem depende desse tratamento.
Mais do que discutir uma planta, o Fórum colocou em pauta o direito à saúde, o acesso a terapias seguras e a necessidade de superar preconceitos históricos que ainda dificultam o debate público sobre o tema.
Osmar Correia, de Toledo, melhor qualidade de vida a partir do tratamento com canabidiol.
Entre as vozes que marcaram o evento esteve a de Osmar Carlos Correia, morador de Toledo há 36 anos. Diagnosticado com depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia e dores crônicas, ele relatou que passou anos em tratamento convencional sem alcançar os resultados esperados.
Segundo Osmar, a mudança começou após o acompanhamento especializado e o uso do canabidiol. “Eu tomava dez tipos de remédio, porém quando conheci o Instituto Sativas, passei a utilizar o canabidiol. Hoje eu tomo duas gotas de manhã e duas à tarde. Remitiu toda a minha enfermidade. Não tomo mais medicamento”, contou. Os especialistas presentes no Fórum reforçaram que o uso terapêutico da cannabis deve ocorrer com acompanhamento profissional e indicação adequada às necessidades de cada paciente.
O paciente destacou ainda a transformação em sua rotina e autonomia. “Eu fiquei afastado pelo INSS durante dez anos. Hoje estou trabalhando normalmente e cheio de projetos. O canabidiol mudou a minha vida”, afirmou. Relatos como o de Osmar reforçam a importância de ampliar o acesso à informação e aos tratamentos, especialmente para pessoas que convivem com doenças crônicas e condições que comprometem a qualidade de vida.
A realização do Fórum na Unioeste evidenciou o papel da universidade pública na produção científica e na construção de debates socialmente relevantes.
Representando a diretora-geral do campus de Toledo, a professora Ana Nisiide, coordenadora do curso de Serviço Social, destacou que o evento fortalece o compromisso institucional com a pesquisa e os direitos humanos. “Esse evento é uma importante oportunidade para que possamos fortalecer a ciência, a inovação e o desenvolvimento tecnológico relacionados à cannabis, especialmente no que se refere ao seu potencial terapêutico, às contribuições para a promoção da saúde, da qualidade de vida e da garantia dos direitos humanos”, afirmou.
Idealizador do Fórum e autor da Lei Pétala, o deputado estadual Goura defendeu que o debate sobre a cannabis deve estar centrado nas pessoas e em seus direitos. “Essa é uma luta por cidadania, saúde, dignidade e uma luta para vencer preconceitos”, afirmou.
Para o parlamentar, a revisão das políticas relacionadas à cannabis é resultado da mobilização social e do esforço de famílias, pesquisadores e pacientes. “Estamos falando de uma planta que foi objeto de ignorância, tabus e preconceitos. Essa revisão histórica só está acontecendo graças à coragem de movimentos sociais, instituições e cidadãos que enfrentaram essas barreiras”, destacou.
O representante do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Felipe Nadai, também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por pacientes que utilizam tratamentos à base de cannabis. “Muitas pessoas ainda perdem seus tratamentos, suas plantas ou seus produtos em abordagens policiais. Isso mostra que ainda existem obstáculos importantes para quem busca esse cuidado”, observou.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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