O livro, publicado pela Editora da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) – Foto: divulgação / Quixote
Texto da Dra. Daniele Reiter Chedid (*)
Agosto de 2025.
Base estadunidense em Cidade do Leste (Paraguai). Espionagem feita pela Agência Brasileira de Inteligência Nacional (ABIN) durante a definição do novo preço da energia que a Itaipu deve pagar ao renegociar o Anexo C do Tratado de Itaipu. Essas são algumas das últimas novidades que andam tensionando as relações entre Paraguai e Brasil. Na década de 1950 a Ponte da Amizade, que liga dos dois países sobre o Rio Paraná em Foz do Iguaçu, começou a se erguer como ideia. Porém, vale lembrar que nesta época existia uma ditadura no Paraguai e, também, um grande esforço internacional do Itamaraty para aproximar o Brasil do país vizinho.
A relação entre os dois Estados não andava bem. A Guerra da Tríplice Aliança havia destruído a simpatia dos paraguaios em relação aos brasileiros. Neste tempo, os argentinos e o Porto de Buenos Aires estava muito mais próximo e útil, já que o Paraguai não tem acesso ao oceano para receber ou enviar mercadorias.
O livro “A cultura como via de aproximação: a Missão Cultural Brasileira no Paraguai (1952-1974)” foi publicado pela editora da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e teve lançamento especial em Foz do Iguaçu, no Espaço Cultural Quixote, em abril de 2025. A cidade foi escolhida pela sua significância ímpar na relação Paraguai X Brasil. Já o lugar do evento foi especialmente providencial por se tratar de um Pub paraguaio em dia de festa albiroja, com músicas e culinária genuinamente do país Guarani.
Daniele: “O livro é uma investigação minuciosa de um projeto do Itamaraty: A Missão Cultural Brasileira no Paraguai.”
Além de trazer documentos oficiais e entrevistas com personagens importantíssimos na relação diplomática dos dois países na época, o livro é uma investigação minuciosa de um projeto do Itamaraty: A Missão Cultural Brasileira no Paraguai. Esse projeto tinha nome, recurso e equipe específica, com atuação no cenário cultural paraguaio até mesmo na Universidade Nacional de Assunção. Seu prédio foi arquitetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em um 07 de setembro durante a ditadura de Stroessner.
Ao longo dos capítulos é possível dimensionar como o processo ditatorial que durou 35 anos no Paraguai se valeu das investidas diplomáticas brasileiras para barganhar conquistas e manter-se no poder. Neste contexto a Missão atuou forte e objetivamente. Estradas, ponte, Universidade, colégios, currículos, professores, livros, escolinha para crianças, festas folclóricas e muitas outras realizações acabam vindo à tona nas correspondências oficiais entre os Ministérios das Relações Exteriores e Embaixadas dos dois países entre 1952 e 1974.
Para quem não esteve no lançamento do livro, é possível acessar de forma online ou ainda ser adquirido impresso no Espaço Quixote.
Deixo aqui o convite a todos que se interessam por essa temática Latino-americana clássica do Cone Sul a conhecer os documentos, entrevistas e análises historiográficas que a pesquisa traz. Essa pauta sempre será atual.
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