Texto extraído do site Documentos Revelados. (*) – Passamos quase a noite toda dançando na festinha do DCE da UFF. Era final dos anos 60. Ela colava seu rosto ao meu e apenas balançava o corpo, acompanhando o ritmo da música de Sérgio Ricardo. Parecia um rito de partida. Lá pela meia noite, fim de […]
Texto extraído do site Documentos Revelados. (*) –
Passamos quase a noite toda dançando na festinha do DCE da UFF.
Era final dos anos 60.
Ela colava seu rosto ao meu e apenas balançava o corpo, acompanhando o ritmo da música de Sérgio Ricardo. Parecia um rito de partida.
Lá pela meia noite, fim de festa, ela me perguntou:
– Você está de carro?
– Não, eu moro logo ali, na Presidente Pedreira.
– Posso ir com você até lá?
Ela me olhou como se fosse a última vez, deitou a cabeça em meu ombro e de repente vi seus olhos se encherem de lágrimas. E, eu sem entender direito o que estava acontecendo, falei.
– Que é isso, amanhã a gente vai se ver de novo.
– Amanhã?
Ela sabia que pra nós não ia ter amanhã.
No dia seguinte, parti para o Oeste do Paraná, com a missão de organizar a luta no campo.
Leia mais textos de Aluízio Palmar, aqui.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
Assine as notícias da Guatá e receba atualizações diárias.