“Eu me limpo pela minha oração”, destaca André Abujamra, músico, ator e compositor, sobre o modo com o qual se relaciona com suas músicas e obras ao longo de sua carreira, enfatizando, inclusive, como suas composições também têm ligação direta com sua espiritualidade, uma vez que, como ele diz, “a minha oração é a música.” No […]
“Eu me limpo pela minha oração”, destaca André Abujamra, músico, ator e compositor, sobre o modo com o qual se relaciona com suas músicas e obras ao longo de sua carreira, enfatizando, inclusive, como suas composições também têm ligação direta com sua espiritualidade, uma vez que, como ele diz, “a minha oração é a música.”
No ilustre e célebre episódio 100 do Sabe Som?, podcast de música do jornal Brasil de Fato, Thiago França recebeu André Abujamra para conversar sobre sua vida pessoal e profissional, desde seus primeiros passos no mundo artístico, até às inspirações caminhos percorridos com seu grupo musical Karnak, projeto artístico mais longínquo, que apesar das mudanças e trocas de integrantes ao longo dos anos, ainda segue “bolando toda a parada, e ao todo já são trinta e três anos de banda”, recorda o músico.
Ouça André Abujamra: https://open.spotify.com/episode/2yinDwXnvf4zj6Eme7NcLw?si=L8andMB1RZqst4M9_sGbIA
Ao longo da sua história, o grupo que mistura música pop com rock, já tem seis discos lançados, além de cinco singles. Obras que o autor considera como projetos que vão além da profissão como músico, e para além do plano material.
Cantor e compositor revisita o passado e revela importância e dimensão da espiritualidade em sua trajetória musical | Crédito: Mustafa Seven/Divulgação.
“Existe uma alma dentro das coisas. De amizades à inimigos, ainda assim existe um espírito, e vão se criando almas. O Karnak é uma alma”
O compositor relembra como o convívio com a música existe em sua vida desde a primeira infância, muito por conta da influência de seu pai, ator, diretor e apresentador, Antônio Abujamra. “Até os quatro anos de idade eu não falava, mas eu já tocava piano com um ano apenas!”, relembra.
Sua relação com a música também aparece em sua religião, candomblecista há mais de 20 anos, ele conta que o seu nome de batismo é Shirian, que significa barulho, e brinca “eu sou o barulho”.
Sobre a relação com o seu pai, Karnak sublinha como era o convívio com um dos grandes nomes da comunicação brasileira dentre as décadas de 1980 e 2000, e de maneira bem-humorada relembra da forma irreverente e despojada com a qual lidava com o pai.
“Cheguei na casa do meu pai, falei: ‘Pai, lê esse texto’. Era uma poesia que eu falava sobre o universo, e ele pegou o papel e falou assim ‘que bosta de letra é essa!?’ E eu pedi ‘poxa pai, lê para mim!’. E filmei com meu celular. Passei o vídeo na estreia do meu disco cerca de vinte dias depois, dez dias após ele morrer. Eu coloquei meu pai ao vivo falando sobre a morte e ele tinha acabado de falecer. Foi muito forte!”
Ao recordar o passado, mas consciente do presente, de maneira alegre o musicista ironiza o modo como “o Karnak parece um albatroz, aqueles pássaros velhos e gordos”, ao referir-se principalmente à rotina do grupo atualmente.
Apesar do saudosismo, André destaca como o “meu projeto de tomar é porrada sozinho, e estou compondo muito e está tudo indo muito bem”.
O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira, às 15h da tarde, e está disponível nas principais plataformas de podcast como Spotify e YouTube Music.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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