Adoniran Barbosa – Foto: © Reprodução/Pandorafilmes.com.br
Batizado como João Rubinato, o filho de imigrantes italianos nasceu na cidade de Valinhos, interior de São Paulo. Abandonou os estudos ainda no primário para trabalhar. Foi tecelão, balconista, pintor de paredes e até garçom. Após arrumar um emprego na capital paulista, aos 22 anos, passou a participar de programas de calouros em rádios. Em 1941, foi trabalhar na Rádio Record como ator cômico e locutor. Foi lá que conheceu o grupo Demônios da Garoa, com quem teve longa e próspera parceria.
Por não considerar seu nome ideal para um cantor de samba, mudou para Adoniran, nome de um amigo. O sobrenome veio em homenagem ao sambista Luiz Barbosa. A partir daí tornou-se um dos compositores mais importantes do Brasil e uma das vozes mais representativas da comunidade ítalo-paulistana.
Adoniran é o responsável pelos três clássicos Trem das Onze, Samba do Arnesto e Tiro ao Álvaro, músicas que mostram sua relação profunda e íntima com o centro de São Paulo, região que o inspirava com o cotidiano de trabalhadores, bares e cortiços para criar suas músicas.
Uma de suas marcas registradas, a pronúncia errada de algumas palavras, era a forma de Adoniran se aproximar do povo. Em Samba do Arnesto essa estética fica clara com a letra “o Arnesto nos convidou / Prum’ samba, ele mora no Brás / Nós fumos, não encontremos ninguém / Nós vortermos com uma baita de uma reiva / Da outra vez, nós não vai mais / Nós não semos tatu”.
Lançada em seu primeiro álbum, em 1974, a canção chegou a ser censurada pela ditadura, com a justificativa “não é admissível a utilização do mau vernáculo nos meios de comunicação”. Por conta disso, a música só foi lançada no segundo disco, em 1975.
Em alguns casos, a poesia do compositor aparece em um jogo de palavras, como o apaixonado Álvaro, que também é um jogo de palavras com “alvo” em Tiro ao Álvaro. O personagem é o destino certo das frechadas [flechadas] disparadas pelo olhar da moça, mais mortíferas do que veneno estriquinina e bala de revorver.
A partir dessa poesia, identificada com as camadas menos favorecidas da população, Adoniran contava histórias de eventos diários que, às vezes, chegavam à crítica social, como no despejo de Saudosa Maloca. “Peguemos todas nossas coisas e fumo pro meio da rua, apreciá a demolição/ Que tristeza que nós sentia/ Cada táuba que caía, doía no coração”, compôs Adoniran, dando voz aos sem-teto que observam a derrubada do imóvel onde tinham vivido nos últimos anos.
Adoniran Barbosa faleceu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos de idade. Estava internado no hospital São Luiz tratando enfisema pulmonar. Foi sepultado no Cemitério da Paz, na capital paulista.
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