No dia 17 de abril de 1996, mais de 12 mil pessoas (mulheres, homens e crianças) vindas de todos os lados da Brasil e de países vizinhos, romperam as cercas do latifúndio, bem na região central do Paraná. Trinta anos depois, relembramos a poesia do cantor popular Miran, ativo apoiador do movimento pela reforma agrária […]
No dia 17 de abril de 1996, mais de 12 mil pessoas (mulheres, homens e crianças) vindas de todos os lados da Brasil e de países vizinhos, romperam as cercas do latifúndio, bem na região central do Paraná. Trinta anos depois, relembramos a poesia do cantor popular Miran, ativo apoiador do movimento pela reforma agrária no Brasil. “Aos Sem-Terra”, escrito em 1986.
O homem nasce para a vida Pra ser feliz e amar Não ser rico e nem ser pobre, e a velhice alcançar
Toda mulher é bonita, Todo homem é honrado Seja preto, seja branco, seja índio ou amulatado. Todos nós somos bonitos Quando não somos maltratados.
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E se Deus fez O céu, a terra e o homem Mudou de nome O que chamou felicidade Pois a igualdade Não teve aprovação Pela sanção Dos que ganham demais.
E se o silêncio Tá no norte ou tá no sul Eu asseguro que é preciso despertar Pela fé, no direito, pela razão E pelos olhos Que cansaram de olhar.
Companheiras, caminheiras Vamos romper a muralha Quando a estrada é comprida A gente faz um atalho Vamos juntos nesta luta Que a terra é devoluta A terra é de quem trabalha.
Vejo na beira das estradas O que o homem tem de semelhante Peregrinos, doentes viajantes, Batendo em grandes retiradas.
São boias-frias de terras vigiadas e cafezais de dono exportador; procurando entender o criador, que falhou quando fez a igualdade, escondendo os ricos na cidade e os pobres ao léo, sem divisor.
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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