O campus Foz do Iguaçu da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) aderiu à campanha Banco Vermelho, marcando um desses espaços para chamar atenção para uma causa urgente: o alto número de feminicídios no Brasil. Com os dizeres “Denuncia a Violência contra a mulher – Ligue 180”, o banco da Unioeste está em um […]
O campus Foz do Iguaçu da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) aderiu à campanha Banco Vermelho, marcando um desses espaços para chamar atenção para uma causa urgente: o alto número de feminicídios no Brasil.
Com os dizeres “Denuncia a Violência contra a mulher – Ligue 180”, o banco da Unioeste está em um dos corredores mais frequentados do campus, perto do Restaurante Universitário e de frente para o Diretório Central dos Estudantes. A proposta é que o banco seja mais do que um espaço de pausa: uma instalação urbana que chama atenção para a causa. O vermelho lembra o sangue das vítimas de feminicídio e, ao mesmo tempo, um alerta da urgência, um “pare” coletivo diante da escalada da violência.
O Brasil registrou um aumento nos casos de feminicídio em 2025, atingindo um novo recorde histórico, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Essa grave situação necessita de atitudes constantes e outras simbólicas, para chamar atenção para a situação.
Beatriz Divino, secretária do DCE, considerou a iniciativa importante. “Estamos vendo uma onda de violência contra a mulher e por isso é importante ter campanhas que mostrem canais de denúncia e que a Unioeste apoie campanhas de prevenção contra violência e assédio”, disse.
A Lei Maria da Penha é o principal instrumento de proteção às vítimas de violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo mecanismos efetivos voltados à prevenção, punição e erradicação dessas violências. De acordo com Katiane Fernandes Camacho, advogada bolsista do Núcleo Maria da Penha (Numape) em Foz do Iguaçu, a legislação prevê diversas medidas de assistência e proteção, que vão desde o afastamento do agressor do lar, até a fixação de distanciamento mínimo entre agressor e vítima, a concessão de pensão alimentícia em casos de dependência econômica, a prioridade no acesso a serviços públicos, entre outras políticas públicas e instrumentos jurídicos.
A efetivação dos direitos previstos em lei depende da denúncia, seja pela própria vítima, ou por terceiros que tenham conhecimento da situação. “O ciclo da violência é complexo e permeado por fatores emocionais que nem sempre são plenamente compreendidos pela vítima. Assim, a busca por auxílio por meio dos canais e instituições adequados mostra-se essencial para a interrupção desse ciclo de sofrimento, enfrentado diariamente por inúmeras mulheres no Brasil e no mundo”, explica Katiane.
O Numape é um projeto de extensão do curso de Direito da Unioeste, em parceria com a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (SETI/PR) e Itaipu Binacional oferecendo atendimento jurídico e psicológico especializado às mulheres amparadas por essa legislação.
Proposta pelo Instituto Banco Vermelho, a campanha foi criada no Brasil em 2023 por iniciativa de duas amigas de Recife, que perderam amigas para o feminicídio. Hoje, o instituto tem cadastrado pouco mais de 200 instalações como esta. No mundo, outras iniciativas como esta foram feitas, iniciando na Itália, em 2016.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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