Por Izabel Leão – Publicação gratuita busca equilibrar produtividade agrícola e saúde pública, oferecendo informações claras sobre rastreabilidade e a importância do uso responsável de defensivos agrícolas.. A relação entre o uso de pesticidas na agricultura, a segurança dos alimentos e a saúde pública é o tema central de uma nova cartilha lançada por pesquisadores […]
Por Izabel Leão – Publicação gratuita busca equilibrar produtividade agrícola e saúde pública, oferecendo informações claras sobre rastreabilidade e a importância do uso responsável de defensivos agrícolas..
A relação entre o uso de pesticidas na agricultura, a segurança dos alimentos e a saúde pública é o tema central de uma nova cartilha lançada por pesquisadores do Laboratório de Ecotoxicologia do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba. Intitulada Do campo à mesa: o uso de pesticidas e a segurança dos alimentos, a publicação tem como objetivo principal promover a compreensão e a adoção de práticas mais conscientes no manejo de defensivos agrícolas.
A cartilha está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP. .
Publicação busca promover a adoção de práticas mais conscientes no manejo de defensivos agrícolas – Foto: Aleksandarlittlewolf/Freepik
. O material busca melhorar o debate e a educação em temas relevantes como Nutrição, Ciências da Saúde e Agricultura Sustentável. Com organização de Laura Bordignon, Márcio Antônio Godoi Junior, Nicoli Gomes de Moraes e Kassio Ferreira Mendes destaca a dualidade inerente ao uso de pesticidas: se, por um lado, são essenciais para garantir a sanidade das lavouras e manter a produtividade alimentar, por outro, seu manejo exige responsabilidade e cautela devido aos impactos que podem gerar na saúde humana e no meio ambiente. Para os pesquisadores, a conscientização é a chave para a melhoria contínua da qualidade alimentar.
A cartilha, que conta com figuras, gráficos e fluxogramas, espera contribuir para que produtores rurais, técnicos e o público em geral compreendam os aspectos legais e sanitários envolvidos, levando à adoção de práticas que minimizem riscos. Ao longo da obra, estão informações acessíveis e claras sobre pesticidas e seu comportamento no ambiente, os resíduos nos alimentos, limites permitidos por lei e os métodos de detecção utilizados. “Esperamos que este material contribua para a adoção de práticas mais seguras e conscientes no campo, fortalecendo a confiança nos alimentos que chegam à nossa mesa”, afirmam os organizadores na apresentação.
Um dos focos da publicação é a rastreabilidade: é possível conhecer sobre o conjunto de procedimentos que permite detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva, mediante elementos informativos e documentais registrados, ou seja, identificar qual é o produto, de onde ele veio e para onde ele vai. A rastreabilidade de alimentos, especialmente das hortaliças (frutas, legumes e verduras), é obrigatória por lei no Brasil, conforme a Instrução Normativa Conjunta. Isso significa que o consumidor deve conseguir saber de onde veio o alimento, quem produziu, quando e como ele foi tratado, incluindo o uso de pesticidas.
Capa e páginas da cartilha que tem download gratuito – Foto: Divulgação/Esalq USP
. A iniciativa busca fortalecer a confiança do consumidor na cadeia produtiva, oferecendo informações sobre Comportamento dos pesticidas: Como estas substâncias agem e se dispersam no ambiente; Resíduos em alimentos: A presença e os níveis de resíduos de pesticidas nos produtos que chegam à mesa; Limites permitidos: As normas e os limites legais estabelecidos pela legislação brasileira para a segurança dos alimentos.
Há também informações sobre as certificadoras, como a GlobalG.A.P., uma organização privada que define normas de boas práticas agrícolas para a certificação voluntária de produtos agrícolas, com foco em segurança dos alimentos e sustentabilidade; a Rainforest Alliance Certified, que adota padrões abrangentes de agricultura sustentável, voltados à proteção de áreas naturais, recursos hídricos, hábitats da vida selvagem e à garantia dos direitos e do bem-estar dos trabalhadores, suas famílias e comunidades; ou a Certifica Minas Café, que possui critérios técnicos como conservação do solo e da água, registro do plantio, tratos culturais, colheita, preparo, secagem, armazenamento e comercialização, além de exigir o cumprimento de padrões sociais e ambientais, uso responsável de insumos e redução dos agrotóxicos.
A cartilha ainda cita quais são os órgãos responsáveis pela aferição do Limite Máximo de Resíduos (LMR) – expresso em miligrama (do pesticida) por quilograma de alimento (mg/kg) – ou seja, a quantidade máxima permitida de um pesticida que pode permanecer nos alimentos após a aplicação correta do produto, seguindo as Boas Práticas Agrícolas (BPA) e visando à proteção da saúde da população. São eles: Codex Alimentarius,; Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); Organização Mundial da Saúde (OMS); Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para o cálculo do LMR considera-se o tipo de cultura e o seu ciclo, duas doses e três locais diferentes, além das condições reais de cultivo e boas práticas agrícolas (BPA), com respeito ao período de carência.
Para ler a cartilha Do campo à mesa: o uso de pesticidas e a segurança dos alimentos na íntegra clique aqui .
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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