Material gratuito, que nasce da luta e dos saberes populares, oferece diretrizes para criar e fortalecer hortas urbanas e orientar políticas públicas que promovam a agroecologia, a soberania alimentar e a justiça climática. Do Jornal da USP / Por Izabel Leão Lançada em outubro de 2025, a cartilha Hortas Comunitárias e Território Urbano: Educação, Políticas […]
Material gratuito, que nasce da luta e dos saberes populares, oferece diretrizes para criar e fortalecer hortas urbanas e orientar políticas públicas que promovam a agroecologia, a soberania alimentar e a justiça climática.
Publicação traz experiência de curso sobre horta comunitária no projeto Corredor Caipira – Foto: Casa do Produtor Rural
A publicação foi desenvolvida no projeto Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas, uma iniciativa realizada pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-PTECA), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O projeto busca unir comunidades, movimentos sociais e instituições para fortalecer práticas coletivas de cuidado com a terra, valorizar a cultura local e construir vínculos sólidos entre as pessoas e seus territórios, estimulando experiências educadoras que transformem os espaços urbano e rural em locais de convivência, aprendizado e biodiversidade.
O Corredor Caipira é um projeto de restauração ambiental e educação no interior de São Paulo, abrangendo cerca de 18 municípios na região que se estende de Analândia até Botucatu. Seu principal objetivo é a conexão da biodiversidade, permitindo o deslocamento de animais silvestres, a dispersão de sementes e o fluxo gênico entre populações isoladas, o que é vital para a saúde do ecossistema da Mata Atlântica. Além disso, busca promover o reflorestamento com a implementação de hectares de florestas e sistemas agroflorestais, contribuindo para combater as mudanças climáticas e recuperar nascentes e recursos hídricos.
A cartilha digital tem como pilares fundamentais a participação popular, entendendo que a transformação real advém das bases; a soberania alimentar, defendendo o direito de decidir o que comer e como cultivar; a agroecologia, buscando a produção em sintonia com o meio ambiente; e a justiça climática, incentivando a mudança a partir dos próprios espaços. A edição destaca os métodos e aprendizados do curso Hortas Comunitárias e Quintais Abundantes, realizado neste ano, em Piracicaba, uma parceria entre o projeto Corredor Caipira e o Movimento Tô Aqui e a Casa do Hip Hop de Piracicaba, com atividades sediadas no centro comunitário do bairro Novo Horizonte, próximo à Horta Comunitária do bairro Santa Fé e na própria Horta Comunitária do bairro Santa Fé.
Para além de uma simples prática de cultivo coletivo, a experiência demonstra que as hortas representam o caminho para o bem-viver, conquistando direitos sociais e ambientais como o direito à cidade, à alimentação adequada, à saúde, ao meio ambiente saudável, à saúde dos rios e à participação democrática e inclusão social. O processo vivenciado ao longo do curso, somado às experiências dos envolvidos na construção da cartilha, consolidou aprendizados sobre as potências das hortas comunitárias agroecológicas. As vivências, especialmente as desenvolvidas na Horta Comunitária do bairro Santa Fé, mostram claramente que a consolidação e o fortalecimento desses espaços urbanos exigem a existência de políticas públicas eficazes, estruturadas e participativas. A articulação contínua entre comunidades, movimentos sociais e o poder público é crucial para garantir que as hortas cumpram seu papel multifuncional, que vai da promoção da soberania alimentar e da educação ambiental à inclusão social, regeneração urbana e formação de novas lideranças.
Em síntese, a experiência comprova que as hortas são muito mais do que meros locais de cultivo: elas funcionam como verdadeiros laboratórios sociais, educativos e ambientais. São espaços capazes de inspirar novas práticas, políticas públicas e modos de vida urbanos mais justos, sustentáveis e inclusivos, mostrando que é possível construir mundos radicalmente democráticos e equitativos a partir do cuidado com o território e com as pessoas.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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