Esta água medrosa e triste, como criança que padece, antes de tocar a tierra, desfalece. Quietos a árvore e o vento, e no silêncio estupendo, este fino pranto amargo, vertendo! Todo o céu é um coração aberto em agro tormento. Não chove: é um sangrar longo e lento. Dentro das casas, os homens não sentem […]
Esta água medrosa e triste, como criança que padece, antes de tocar a tierra, desfalece.
Quietos a árvore e o vento, e no silêncio estupendo,
Todo o céu é um coração aberto em agro tormento.
Não chove: é um sangrar longo e lento.
Dentro das casas, os homens não sentem esta amargura, este envio de água triste da altura; este longo e fatigante descer de água vencida, por sobre a terra que jaz transida.
Em baixando a água inerte, calada como eu suponho que sejam os vultos leves de um sonho.
Chove… e como chacal lento a noite espreita na serra. Que irá surgir na sombra da Terra?
Dormireis, quando lá foram sofrendo, esta água inerte e letal, irmã da Morte se verte?
. (Tradução de Ruth Sylvia de Miranda Salles)
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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