O encontro está sendo realizado com exibições gratuitas no Cinema do Centro de Recepção de Visitantes da Itaipu Binacional. As sessões nos dias 12, 13 e 14 de maio ocorrem com entrada gratuita. A mostra propõe uma leitura crítica da crise ambiental contemporânea a partir de sua inscrição histórica na América Latina, reunindo filmes do […]
A mostra propõe uma leitura crítica da crise ambiental contemporânea a partir de sua inscrição histórica na América Latina, reunindo filmes do Brasil, da Argentina e do Peru. Mais do que compreender o antropoceno como um fenômeno global abstrato, o ciclo aposta no cinema como forma de conhecimento sensível, evidenciando como a degradação ambiental está vinculada a processos de exploração que remontam à colonização e seguem presentes no capitalismo contemporâneo.
Na imagem em destaque, cena de “Rejeito”, documentário de Pedro de Filippis
Com sessões sempre às 19h, a programação inclui o internacionalmente premiado Rejeito (Pedro de Filippis), na terça-feira, dia 12; o documentário argentino YVY – Tierra (Juan Mascaró), na quarta-feira, dia 13; e a ficção indígena peruana Jene Nete – O Mundo da Água (Ronald Suárez Maynas), na quinta-feira, dia 14. As obras abordam desde a violência do extrativismo mineral até formas de resistência coletiva e cosmovisões indígenas que propõem outras relações com a natureza.
Após a última sessão, haverá um debate com convidades, promovendo um espaço de troca e reflexão sobre as temáticas apresentadas. A entrada é gratuita. O CRV está localizado na Avenida Tancredo Neves, 6702, em Foz do Iguaçu — PR. A mostra é realizada pelo Cineclube Cinelatino (UNILA), com apoio da ITAIPU Binacional e Itaipu Parquetec.
“Rejeito”
Ficha Técnica – Direção: Pedro de Filippis – País: Brasil- Ano: 2024 – Duração: 75 min – Gênero: Documentário
Sinopse: Em Rejeito, Pedro de Filippis disseca a mineração em Minas Gerais não como uma sucessão de acidentes, mas como uma maquinaria extrativista de raiz colonial que trata territórios e comunidades como material descartável. O filme revela o “terrorismo de barragens” como um processo estrutural de desapropriação, no qual a ameaça de catástrofe é instrumentalizada deliberadamente para deslocar populações em favor de novos interesses corporativos. A partir de uma perspectiva crítica latino-americana, a obra expõe a permanência de um modelo econômico que sacrifica a vida para alimentar o capital global, transformando a paisagem em uma zona de sacrifício em colapso permanente.
Ficha Técnica – Direção: Juan Mascaró – País: Argentina – Ano: 2024 – Duração: 83 min – Gênero: Documentário
Sinopse: Sobre o solo vermelho de Misiones, Argentina, este relato documental revela a tensão entre o avanço voraz do extrativismo florestal e a persistência da vida camponesa e indígena. Diante da lógica do monocultivo, diversas comunidades tecem redes de soberania alimentar e organização coletiva como ferramentas vitais de enraizamento e cuidado com o território. Longe de uma mera denúncia, a obra celebra a “recampesinização” e o trabalho cooperativo integral como atos de resistência criativa e reconstrução territorial. YVY – Tierra emerge como um testemunho sensível sobre a potência de habitar a terra com dignidade, propondo alternativas que priorizam a vida acima da lógica do lucro.
Ficha Técnica – Direção: Ronald Suárez Maynas – País: Peru (Ucayali, Amazônia peruana) – Ano: 2025 – Duração: 30 min – Gênero: Ficção
Sinopse: Para além da noção ocidental da água como recurso inerte, Jene Nete nos mergulha em um Ucayali habitado por presenças espirituais que sustentam a trama da vida. A partir da soberania visual do povo Shipibo-Konibo, a obra confronta o ruído do extrativismo com a sabedoria dos Meraya, guardiões de um equilíbrio hoje fraturado pela contaminação. O filme desloca a narrativa do antropoceno para uma territorialidade sagrada, na qual a natureza não é objeto de consumo, mas um espaço de reciprocidade essencial para a sobrevivência coletiva.
Da assessoria da Unila
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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