quero escrever-me de homens quero calçar-me de terra quero ser a estrada marinha que prossegue depois do último caminho e quando ficar sem mim não terei escrito senão por vós irmãos de um sonho por vós que não sereis derrotados deixo a paciência dos rios a idade dos livros mas não lego mapa nem bússola […]
quero escrever-me de homens quero calçar-me de terra
e quando ficar sem mim não terei escrito senão por vós irmãos de um sonho por vós que não sereis derrotados
deixo a paciência dos rios a idade dos livros
mas não lego mapa nem bússola porque andei sempre sobre meus pés e doeu-me às vezes viver hei-de inventar um verso que vos faça justiça
por ora basta-me o arco-íris em que vos sonho basta-te saber que morreis demasiado por viverdes de menos mas que permaneceis sem preço
companheiros
Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto, é escritor e biólogo moçambicano.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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