Poema reproduzido do jornal Cândido, edição 118, editado pela Biblioteca Pública do Paraná. . . consciência acordei olhando os olhos de vovó e debulhei as marcas da escavada velhice cravada na pele vi ali os restos das vendas nas fendas das pretas maltratadas acordei com as vozes negras espancadas, veio na veia a velha vontade […]
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consciência
acordei olhando
vi ali os restos das vendas nas fendas das pretas maltratadas
acordei com as vozes negras espancadas, veio na veia a velha vontade de remar, queimar os barcos no mar
acordei olhando os raios solares baterem à porta da catarata de vovó inundei de coragem
ela na cicatriz faz nó em ancoragem tira o véu olha pro céu dentro do sol
e me acorda dizendo nalgum lugar, lá onde sempre estive, a carne mais barata do mercado não é a carne negra
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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