Texto inédito. “Mateando”, fotografia de Lis Labanca. Agosto de 2024. O sol permeia toda a extensão do corpo, ocupando todos os espaços. Transpassando e perfurando como flecha ameaçadora, flamejante, vulcânica. Calor naquela tarde de agosto se fazia ainda mais delirante, enquanto se dirige ao terreiro, as ruas regurgitando gente e carros, mas permanecia imersa entre […]
Agosto de 2024.
O sol permeia toda a extensão do corpo, ocupando todos os espaços. Transpassando e perfurando como flecha ameaçadora, flamejante, vulcânica.
Calor naquela tarde de agosto se fazia ainda mais delirante, enquanto se dirige ao terreiro, as ruas regurgitando gente e carros, mas permanecia imersa entre pensamentos e mensagens no whatsApp em uma espécie de paralisia do sono. Facultado o privilégio de possuir tempo – tempo para observar os movimentos da vida cotidiana.
Desde cedo aquela sensação invade cada célula de seu corpo, embora tente fazer todas as sinapses possíveis na tentativa inútil de encontrar explicações para o que não se explica. Os desassossegos dominam sua mente e são como uma febre infernal, escreves na esperança de diminui-la.
A cabeça pesa, realmente pesa, confusa e rodopiante entre o que senti e o que vê. As sensações não eram novas, mas mal sabe decifrar o que senti, talvez nem queira saber, nem o que pensas e nem o que és.
Somos o que podemos ser, simplesmente humanos.
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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