No Dia do Livro, a obra “A Cabeça do Santo”, da escritora cearense Socorro Acioli, volta a ganhar destaque ao figurar entre os títulos mais acessados na plataforma MEC Livros. Publicado em 2014, o romance acompanha um jovem que chega ao interior do Ceará em busca de suas origens e passa a viver dentro da cabeça […]
No Dia do Livro, a obra “A Cabeça do Santo”, da escritora cearense Socorro Acioli, volta a ganhar destaque ao figurar entre os títulos mais acessados na plataforma MEC Livros.
Publicado em 2014, o romance acompanha um jovem que chega ao interior do Ceará em busca de suas origens e passa a viver dentro da cabeça oca de uma estátua de Santo Antônio. Ele descobre, então, que consegue ouvir as preces de mulheres da cidade e passa a intervir na vida dos moradores. .
Socorro Acioli, autora de ‘A Cabeça do Santo’, best-seller cearense alcançou circulação internacional, com edições lançadas em países como Inglaterra, Estados Unidos e França. – Foto: Igor de Melo
. A ideia do livro surgiu a partir de uma provocação de Gabriel García Márquez. Acioli participou, em 2006, de uma oficina conduzida pelo autor em Cuba após insistir por meses para conseguir uma vaga. Ao final, teve dois dias para enviar um resumo da história que seria avaliada pelo escritor. O texto foi aprovado e garantiu sua participação.
A história nasceu de um fato real registrado no município de Caridade, onde uma escultura de Santo Antônio permanece incompleta, com o corpo no alto de um morro e a cabeça no chão. A ideia surgiu a partir de recortes de reportagens guardados pela autora ao longo dos anos. Em uma dessas matérias, havia o relato da construção de uma estátua de 33 metros com a intenção de transformar a cidade em destino de peregrinação e movimentar a economia local.
“Fizeram a estátua, montaram o corpo todo, lá no morro da principal da cidade. Aí quando foram montar a cabeça, os homens que estavam trabalhando já estavam colocando as peças para subir, mas o mestre de obras disse que não. Montaram no chão. Mas a cabeça nunca pôde subir, porque ela é enorme e é muito pesada. Está lá até hoje”, afirma Acioli em entrevista ao jiornal Brasil de Fato.
“Teve até um homem que já morou um tempo dentro. Quando eu li [a reportagem], eu imaginei esse homem morando lá dentro sendo um sujeito, um andarilho o mais anticlerical possível, o cara mais errado possível entrando na cabeça do Santo Antônio”, disse.
A partir desse cenário, a autora imaginou a presença de um homem vivendo dentro da estrutura e desenvolveu a hipótese de que ele poderia ouvir preces de mulheres ao ocupar aquele espaço. Dessa ideia surgiu o enredo que daria origem ao livro.
Socorro Acioli, autora de ‘A Cabeça do Santo’ – Foto: Igor de Melo
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“E foi isso que eu mandei: ‘Um homem estava andando na estrada, procurando um lugar para se abrigar da chuva e encontrou uma gruta. Ele acorda às cinco da manhã ouvindo vozes de mulheres. Quando sai, não viu nenhuma mulher e descobriu que a gruta era, na verdade, a cabeça oca, gigantesca e inacabada de um Santo Antônio cujo corpo estava no alto do morro’”, acrescenta.
Durante a oficina, o autor incentivou que a narrativa fosse levada ao cinema. A obra foi concluída anos depois e publicada pouco antes da morte do escritor, que não chegou a ler a versão final.
Ainda assim, o projeto de adaptação segue em andamento. A direção é de Joana Mariani e o roteiro já foi finalizado. O elenco conta com a participação de Antônio Pitanga, enquanto as filmagens devem ocorrer em locações no Nordeste. O filme deve ser lançado entre o final deste ano e o início do ano que vem, segundo a escritora.
Além da adaptação, o livro alcançou circulação internacional, com edições lançadas em países como Inglaterra, Estados Unidos e França. No Brasil, voltou a ganhar visibilidade com a expansão da plataforma MEC Livros, que reúne mais de 8 mil títulos digitais gratuitos. Segundo dados do Ministério da Educação, “A Cabeça do Santo” aparece entre as obras mais acessadas, atrás de “Crime e Castigo” e à frente de outros títulos contemporâneos.
O sistema soma mais de meio milhão de usuários cadastrados e registra milhares de empréstimos. De acordo com o MEC, a iniciativa busca ampliar o acesso à leitura e integrar tecnologia ao ensino. “O MEC Livros foi organizado a partir de critérios que valorizam a diversidade literária, cultural e linguística”, informou o órgão.
A plataforma está disponível para usuários com conta no gov.br. Os livros podem ser acessados por até 14 dias, com opção de renovação após esse período mediante devolução do exemplar.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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