– Um poema de Adna Rahmeier. Uma fotografia de Manuella Sampaio – E agora, Maria? O trabalho acabou, O patrão protelou, A hora aumentou, O dia sumiu, E agora, Maria? E agora, você? Você que é burguês Que móe os outros, Que faz panelada Que odeia e não se informa E agora, Maria? […]
– Um poema de Adna Rahmeier. Uma fotografia de Manuella Sampaio –
E agora, Maria? O trabalho acabou, O patrão protelou,
Está sem marido Está sem obrigação Está sem lazer Já não pode curtir E nem divertir Os filhos atolam O tempo outra vez Como quem tem que Provar em 3 Que só é uma Nessa vez Não veio a luz Pra salvar esse mês A geladeira esfriou E a TV desligou E agora, Maria?
E agora, Maria? Seu olhar deslumbrante A pele marcante De cheiro gostoso Do destempero Da tua ousadia Da tua paciência E da lutaria E agora, Maria?
Se você desistisse Assim sonhasse Esse realizar Esse mundo Profundo Que se esconde No olhar da medida Que pesa Outra vez Você é orgulho, Maria!
Sozinha na vida Tal qual Leoa na Mata Sem receio Sem luxúria Para depender Da falência da cidade Que surja na coragem A marcha desnuvenecida Você marcha, Maria! Maria, para onde?
Adna Rahmeier é artesã e poeta em Foz do Iguaçu, Pr. Manuella Sampaio é jornalista e mestranda em Integração da América Latina. Poesia e foto publicadas na revista Escrita 45.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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