Eu pertenço a este lugar. Tenho muitas lembranças. Nasci como todos nascem. Tenho uma mãe, uma casa com muitas janelas, irmãos, amigos e uma cela de prisão. Com uma janela gelada! Tenho uma onda capturada por gaivotas, um panorama só meu. Tenho um prado saturado. No horizonte profundo do meu mundo, tenho uma lua. O […]
Eu pertenço a este lugar. Tenho muitas lembranças. Nasci como todos nascem. Tenho uma mãe, uma casa com muitas janelas, irmãos, amigos e uma cela de prisão.
Tenho uma onda capturada por gaivotas, um panorama só meu. Tenho um prado saturado. No horizonte profundo do meu mundo, tenho uma lua. O sustento de um pássaro e uma oliveira imortal. Vivi nesta terra muito antes de as espadas transformarem o homem em presa. Eu pertenço a esse lugar.
Quando o céu chora por sua mãe, eu devolvo o céu à sua mãe. E eu choro para que uma nuvem que retorne possa levar minhas lágrimas. Para quebrar as regras, aprendi todas as palavras necessárias para um julgamento sangrento. Aprendi e desconstruí todas as palavras para extrair delas Uma única palavra: Lar .
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Leia mais poemas de Mahmoud Darwish, aqui.
85 anos do poeta e escritor palestino Mahmoud Darwish (1941-2008)
Hoje, dia 13 de março de 2026, Darwish completaria 85 anos de vida. Considerado um dos maiores poetas da Palestina e do mundo árabe, transformou a dor do exílio e do martírio em prosa e poesia, eternizando a memória do povo palestino em palavras.
Faleceu em decorrência de problemas cardíacos em 2008 e foi enterrado na cidade de Ramallah, na Palestina ocupada, no Palace of Culture Hill, um memorial dedicado à sua vida e obra.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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