Artista de origem senegalesa e suíça radicada no Brasil apresenta em seu álbum de estreia reflexões sobre ancestralidade. Disponível nas plataformas de streaming, o primeiro álbum da cantora Anaïs Sylla, “Exil” (em tradução livre,”), se apresenta como um resultado das diásporas que constituem a história da artista. De origem senegalesa e suíça e nascida no […]
Artista de origem senegalesa e suíça radicada no Brasil apresenta em seu álbum de estreia reflexões sobre ancestralidade.
Disponível nas plataformas de streaming, o primeiro álbum da cantora Anaïs Sylla, “Exil” (em tradução livre,”), se apresenta como um resultado das diásporas que constituem a história da artista. De origem senegalesa e suíça e nascida no interior da França, a cantora está radicada no Brasil desde 2015. Foi em terras brasileiras que ela deu início à sua carreira na música. .
A cantora Anaïs Sylla | Crédito: Renato Nascimento/ Divulgação
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio BDF, Anaïs explica que o nome do álbum partiu de uma reflexão que a consome desde a juventude sobre sua ancestralidade e seu sentimento de pertencimento.
“Esse pertencimento é um turbilhão, porque é muita miscigenação dentro da África e dentro da Europa, que não deveria ser um problema, mas a gente vive esses riscos de sistemas raciais de hierarquia, de divisão, de nomear, e teve um filme que eu assisti, que chama ‘Exil’, sobre uma argelina que nunca foi para a Argélia. Ela vai para a Argélia adulta, e toda a confusão que causa nela, e essa sensação de exílio. E eu fui me identificar com essa palavra, que é muito forte. O ‘Exil’ foi um refúgio poético; ele traz em algumas letras muitas feridas, mas também muita cura.”
O disco mistura sonoridades, idiomas e sotaques. Conta com a participação de nomes da música brasileira como Jotapê, Tiganá Santana, Anelis Assumpção, além das referências do renomado João Donato. Anaïs trabalhou como backing vocal de Donato no álbum ganhador do Grammy Latino “Serotonina” e nos shows de sua turnê.
“Eu queria gravar a música ‘Lugar Comum’, e o Ronaldo Evangelista, o produtor do João Donato, estava na Orilab, que é o estúdio onde eu gravei o disco. Ele estava começando a gravar o último disco do ‘Serotonina’. Mostramos e ele achou muito bonita a versão. Alguns dias depois ele me ligou falando que estava procurando backing vocal, que ele tinha gostado muito da minha voz e saber se eu teria disponibilidade. Obviamente, eu tinha”, relatou a cantora.
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Anaïs Sylla veio ao Brasil para cursar mestrado em história na Universidade de São Paulo (USP). Hoje, desenvolve uma pesquisa artística conjugando música, memória e diáspora africana. Neta de Selegalês, a artista mantém uma relação com o país que integra a região africana conhecida como Sahel, ao Sul do deserto do Saara e ao norte da Savana do Sudão. Ao mencionar a história e conjuntura da região, a cantora recorda a forma como seu avô se relacionava com a política da região.
“Meu avô tinha essas figuras, Thomas Sankara, como referência para reflorestar essa região que se tornou um deserto por conta da colonização, da escravidão, mestiçagem. E meu avô tentava usar esses exemplos para a escala dele, pedaço de terra que ele, um outro tipo de agricultura que sai do colonialismo, do extrativismo e da exploração. E eu acompanho essa atualidade, sim, do Burkina Faso, do Senegal, com toda a complexidade que continua, de uma emancipação que é vital, mas ao mesmo tempo continua muito difícil. Eles ainda são muito reféns da moeda, de tudo”, destaca Anaïs Sylla.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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