Estímulo regular fortalece conexões neurais, retarda o aparecimento de sintomas ligados ao declínio cognitivo e até pode adiar em alguns anos os sinais de demência. Você sabia que falar mais de um idioma pode manter o cérebro mais jovem? Estudo publicado na revista Nature mostra que pessoas bilíngues ou multilíngues têm maior proteção contra o envelhecimento cognitivo. […]
Estímulo regular fortalece conexões neurais, retarda o aparecimento de sintomas ligados ao declínio cognitivo e até pode adiar em alguns anos os sinais de demência.
Você sabia que falar mais de um idioma pode manter o cérebro mais jovem? Estudo publicado na revista Nature mostra que pessoas bilíngues ou multilíngues têm maior proteção contra o envelhecimento cognitivo. Isso acontece porque, ao alternar entre línguas, o cérebro faz um exercício constante de atenção, memória e flexibilidade mental — como se estivesse numa academia cognitiva.
O aprendizado de línguas já é estudado há bastante tempo e existe um conceito, que é o conceito da reserva cognitiva, que leva a uma resiliência cerebral – Ilustração da capa: pngwing
O especialista Raphael Ribeiro Spera, neurologista, membro do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento (GNCC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HCFM) da USP, explica que esse estudo já ocorre há muitos anos. “Essa parte de aprendizado de línguas já é estudada há bastante tempo e existe um conceito, que é o conceito da reserva cognitiva, que leva a uma resiliência cerebral. Pessoas com muitos anos de escolaridade, que façam atividades cognitivamente complexas – aprendizado de línguas, atividades artísticas, tudo isso melhora a conectividade cerebral, tornando o cérebro mais resiliente, ou seja, mais resistente a uma potencial agressão.”
Raphael Ribeiro Spera – Foto: Arquivo pessoal
Em outras palavras, o estudo indica que esse estímulo regular fortalece conexões neurais, retarda o aparecimento de sintomas ligados ao declínio cognitivo e até pode adiar em alguns anos os sinais de demência. O especialista diz que, independentemente do idioma escolhido para aprender, todos exigem estímulo cognitivo, como memória e atenção, e que as palavras cruzadas também contribuem para a saúde do cérebro. “A palavra cruzada é um tipo de atividade que envolve também linguagem, não tão complexo quanto aprender uma nova língua, mas é um bom estímulo cognitivo.”
O mais interessante é que não importa a idade em que a pessoa aprende um novo idioma. Começar na infância ajuda, claro, mas adultos e idosos também podem colher benefícios importantes. “Não existe idade para começar, têm estudos que mostram que mesmo idoso que começa atividade física e cognitiva tem benefício.” De resto, o neurologista adverte que o cérebro, assim como todos os outros órgãos, envelhece ao longo do tempo, “mas se sabe que memória de curto prazo, memória operacional e capacidade de lembrar nomes pode se reduzir de forma normal, de acordo com a idade. Cabe ao médico diferenciar o que é normal e o que é patológico”.
Ou seja, aprender outro idioma não serve apenas para viajar ou trabalhar melhor. É um investimento direto na saúde do cérebro, que fica mais ativo, mais ágil e, de certa forma, biologicamente mais jovem. “Quanto mais atividades cognitivas você fizer, quanto mais você cuidar da saúde, mais protegido você está.” O cérebro agradece.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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