Denise Paro, especial para Guatá – O VI Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira reuniu cerca de 300 pessoas nos dias 15 e 16 de agosto no Assentamento Companheiro Antonio Tavares (Itepa), em São Miguel do Iguaçu. Participaram do evento organizações camponesas, indígenas, trabalhistas, de direitos humanos, de mulheres, de jovens e crianças, de […]
Denise Paro, especial para Guatá – O VI Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira reuniu cerca de 300 pessoas nos dias 15 e 16 de agosto no Assentamento Companheiro Antonio Tavares (Itepa), em São Miguel do Iguaçu. Participaram do evento organizações camponesas, indígenas, trabalhistas, de direitos humanos, de mulheres, de jovens e crianças, de estudantes e de educadores populares. No final do evento, um documento foi firmado com diversos posicionamentos das organizações.
Encontro reuniu organizações camponesas, indígenas, trabalhistas e de direitos humanos e terminou com documento que apresenta posicionamentos sobre questões políticas e sociais. – Foto: Forum / divulgação
Entre as preocupações, estão a perda de soberania resultante dos acordos entre o Paraguai e a Argentina com os Estados Unidos. Tal condição leva esses governos latino-americanos a votar a favor do bloqueio contra Cuba e tolerar o genocídio em Gaza perpetrado por Israel em nome dos valores capitalistas ocidentais, conforme o documento.
Outra questão manifesta é em relação aos camponeses que recuperaram terras no Brasil, Paraguai e Argentina e hoje enfrentam conflitos com o agronegócio, seja por causa da poluição, do uso de agrotóxicos, da monopolização da monocultura, da apropriação e modificação de sementes, da centralização da logística e do sistema alimentar, bem como por conflitos de terras históricos e atuais.
Os participantes defendem a tecnologia que facilita e dignifica o trabalho, mas denunciam o uso em detrimento da terra, do meio ambiente, do trabalho, dos direitos dos trabalhadores e da soberania de saberes de nossos povos.
Em âmbito regional, o Fórum denuncia a violência judicial e estatal perpetrada contra a comunidade de Puente Quemado II em Misiones, Argentina; o constante assédio à comunidade Guarani em Akaraymi; e o assassinato do líder indígena Antonio Carrillo e do professor Catalino Correa em Tekoha Yapo, Paraguai.
Declaração do VI Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira
As organizações sociais e populares reunidas no VI Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira os posicionamos contra os poderes imperialistas que utilizam a retórica antiterrorista para invadir nossos territórios.
Nós, organizações camponesas, indígenas, trabalhistas, de direitos humanos, de mulheres, de jovens e crianças, de estudantes e de educadores populares, nos unimos na luta contra governos fascistas e ditatoriais. Exigimos soberania alimentar, agroecologia e reforma agrária integral.
Estamos preocupados com a perda de soberania resultante dos acordos entre o Paraguai e a Argentina com os Estados Unidos, pelos quais esses governos latino-americanos votam a favor do bloqueio contra Cuba e toleram o genocídio em Gaza perpetrado por Israel em nome dos valores capitalistas ocidentais. Além disso, seus projetos governamentais incluem ações para transferir a propriedade de nossas terras para interesses estrangeiros e deslocar nosso povo de seus territórios, deixando-o sem trabalho ou recursos, com leis que violam os direitos dos trabalhadores, gerando aumento do desemprego, uma ideologia empreendedorista que individualiza e desmobiliza a classe trabalhadora, acompanhada pelo crescimento do trabalho por aplicativos que torna as relações de trabalho mais flexíveis e precárias, e maior exclusão dos trabalhadores na economia informal, empurrando-os, em última instância, para a marginalização, a migração forçada e o avanço do narcotráfico.
Alertamos que os camponeses que recuperaram terras nos três países estão enfrentando conflitos com o agronegócio, seja por causa da poluição, do uso de agrotóxicos, da monopolização da monocultura, da apropriação e modificação de sementes, da centralização da logística e do sistema alimentar, bem como por conflitos de terras históricos e novos. Defendemos a tecnologia que facilita e dignifica o trabalho, mas denunciamos seu uso em detrimento da terra, do meio ambiente, do trabalho, dos direitos dos trabalhadores e da soberania de saberes de nossos povos.
Unimo-nos à Campanha de Solidariedade com os Povos em Luta de Cuba e Venezuela contra o bloqueio que sofrem; condenamos o genocídio na Palestina; a agressão do capitalismo israelense-americano contra o Irã; e a interferência dos EUA nos assuntos internos e nas eleições em nossa região.
Denunciamos especialmente a violência judicial e estatal perpetrada contra a comunidade de Puente Quemado II em Misiones, Argentina; o constante assédio à comunidade Guarani em Akaraymi; e o assassinato do líder indígena Antonio Carrillo e do professor Catalino Correa em Tekoha Yapo, Paraguai. Basta de cerco e exclusão! Exigimos a recuperação e o respeito ao território indígena da região!
Queremos continuar caminhando juntos, todas as organizações populares, lutando pela vida, e que o Fórum Social e Popular seja uma ferramenta permanente na luta contra o imperialismo e seus objetivos, especialmente na região da Tríplice Fronteira.
São Miguel de Iguaçu, 16 de agosto de 2026
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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