Quarta-feira (14), o ator e escritor londrinense Renato Forin Jr., ganhador de prêmio Jabuti, apresenta em Foz do Iguaçu a aula-espetáculo “Costuras poéticas pelo fio da voz”, misto de show e palestra em que vasculha canções e histórias formadoras do Brasil com emoção e delicadeza. Depois de se apresentar em Loanda, Cascavel e Toledo, a […]
Quarta-feira (14), o ator e escritor londrinense Renato Forin Jr., ganhador de prêmio Jabuti, apresenta em Foz do Iguaçu a aula-espetáculo “Costuras poéticas pelo fio da voz”, misto de show e palestra em que vasculha canções e histórias formadoras do Brasil com emoção e delicadeza.
Depois de se apresentar em Loanda, Cascavel e Toledo, a aula-espetáculo “Costuras poéticas pelo fio da voz” chega a Foz do Iguaçu, dando continuidade à turnê por seis cidades do Paraná. A apresentação, com entrada gratuita, será nesta quarta-feira, dia 14 de outubro, às 14 horas, no Laboratório C114 da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), no Jardim Universitário (Avenida Tarquínio Joslin dos Santos, 1.000).
Forin Jr. reúne em espetáculo palestra, show musical e recital poético sobre a brasilidade – Fotos: Fábio Alcover
A apresentação tem 110 minutos de duração, classificação indicativa acima de 14 anos e contará com tradução de Libras. A turnê integra o projeto “Costurando Poesia pelo Paraná”, aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal. Misto de palestra, show musical e recital poético sobre a brasilidade oriunda da mistura da cultura oral e letrada, o trabalho de Renato Forin Jr. tem emocionado espectadores pela tessitura de afetos e saberes.
“No fundo, é uma apresentação muito simples, que nos leva de volta àquele espaço aconchegante da infância, ou das casas do interior, quando ouvíamos e contávamos histórias da nossa vida, cantávamos juntos canções antigas, e celebrávamos o mistério de existir e de estar vivo, sem nem notar que estávamos fazendo isso”, explica. Na apresentação, o ator e escritor incorpora os primeiros contadores de história de que se tem registro – os griôs africanos e os rapsodos gregos –, e os atualiza por meio da potência oral do país.
O nome “costuras poéticas” faz referência à etimologia de rapsodo, já que rhaptein, em grego, significa costurar. Estes multiartistas ancestrais eram como “costureiros” que alinhavavam conhecidos textos-tecidos. É um exercício que Renato também pratica no espetáculo, ligando trechos de suas obras a produções de escritores e compositores brasileiros, africanos e europeus de diferentes linhagens.
O centro da aula-espetáculo é o seu livro-CD “Samba de uma noite de verão”, contemplada com o Prêmio Jabuti em 2017, e que reescreve “Sonho de uma noite de verão”, de Shakespeare, à brasileira, ou seja, com o propósito de construir uma metáfora da formação da nação em perspectiva crítica. Assim, além de personagens do nosso imaginário literário, como os malandros, lavadeiras, mães de santo, os líderes sociais, os exploradores da especulação imobiliária, agrega à história deuses da mitologia dos orixás e lendas da cosmogonia ameríndia. As três matrizes culturais que confluem na formação do país, ora de forma amistosa e ora de modo violento, estão representadas no trabalho.
“O samba, sendo hoje reconhecido como ‘produto de exportação’, é um retrato da nossa história complexa, das marcas coloniais: ele sobreviveu a criminalizações institucionais e tentativas de silenciamento a partir da célula angolana e da resistência inteligente dos negros escravizados ou das comunidades populares subalternizadas”, pontua Renato. Ele acrescenta que abordará também outras referências brasileiras que são resultado da reinvenção da diáspora, como a umbanda e as manifestações de roda.
Dentre as canções que Renato interpreta está “Compasso da Vila”, letra integrante do seu livro, que descreve o cotidiano da Vila de Vera Cruz, comunidade simples onde é ambientada a fábula, e a inédita “A mão do tempo”. Aparecem ainda trechos dos livros “Carne viva” e “OVO”, suas produções literárias mais recentes. “Ao longo das apresentações, desde a estreia, cerzimos diferentes colchas de histórias e saberes.
Apesar de passar por temas complexos, procuro fazer na aula um exercício íntimo, subjetivo, para que encontremos em nossa infância e na nossa ancestralidade o fio da meada de quem somos hoje, o fio da voz que continuamos fazendo vibrar no mundo”.
O trabalho tem direção de produção de Danieli Pereira, produção executiva de Álvaro Canholi e Gabriela Laguna nas mídias sociais. As bases musicais são de Gustavo Gorla e a preparação vocal é de Paulo Vitor Poloni.
O projeto é realizado através de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura do Governo Federal, aprovado em edital da Secretaria Estadual de Cultura do Paraná. Em Foz do Iguaçu conta com o apoio da Unila e do Coletivo de Teatro CotéCoi.
Serviço:
Costuras poéticas pelo fio da voz Aula-espetáculo de Renato Forin Jr. Dia 14 outubro (quarta-feira), 14 horas No Laboratório C114 – campus Jardim Universitário – da UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Avenida Tarquínio Joslin dos Santos, 1.000)
Autoclassificação indicativa: 14 anos Duração: 110 minutos – Entrada gratuita Apresentação com acessibilidade (tradução em Libras)
Ficha Técnica: Roteiro, performance e desenho de cena: Renato Forin Jr. Direção de produção: Danieli Pereira / Produção executiva: Álvaro Canholi / Preparação vocal: Paulo Vitor Poloni / Bases musicais: Gustavo Gorla / Mídias sociais: Gabriela Laguna / Fotografia: Fábio Alcover
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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