Uma opinião de Richard de Souza – Intolerância e conservadorismo em ondas. A coisa está feia para quem se guia pelas ideias progressistas. Ou para aqueles que só querem o bem comum e acham que todos merecem uma chance. Uma senhora – conhecida minha – dizia que os presos não devem ser maltratados. Devem aprender […]
Intolerância e conservadorismo em ondas. A coisa está feia para quem se guia pelas ideias progressistas. Ou para aqueles que só querem o bem comum e acham que todos merecem uma chance. Uma senhora – conhecida minha – dizia que os presos não devem ser maltratados. Devem aprender coisas novas e ter oportunidades. Em outros tempos ela levava um baita saco de pão à cadeia pública e entregava pessoalmente aos apenados pouco antes do Natal. E dava um monte de conselhos para eles. Vá fazer isso hoje. O ódio cai qual uma foice divina sobre você. Não! Temos que nos vingar. Vagabundo não merece que passem a mão na cabeça. O tal “bandido bom é bandito morto” é dito de boca cheia. Dane-se as mazelas sociais e os problemas familiares que o levaram a isso. E dane-se que a cadeia é um inferno e só piora as coisas. Vingança e não justiça é o que querem. E religião então. Algo que antes era uma espécie de pacto não escrito, ou seja: religião cada um com ou sem a sua e não se fala disso, virou motivo de agressões físicas e virulência online. Querem regular a vida das pessoas na marra. Da bestialidade em relação ao preconceito racial, à luta pela igualdade de direitos da mulher e pelo respeito à diversidade sexual muito pode ser dito também, mas as notícias do cotidiano já deixam escancaradas toda a violência e a odiosidade de que muitas pessoas são capazes. E o sofrimento das pessoas que são vítimas virou lugar comum. São logo esquecidas, porque tem notícia quentinha vindo aí! Deleta esta que já não é mais interessante. Esses ataques aos direitos humanos são constantes e daí vem a pergunta: mas por que isso agora? Uma das pistas está relacionada ao poder adquirido por alguns extremistas religiosos. Sim, nós temos os nossos! E não é só o poder político, que é o mais visível hoje. O mais danoso é o poder econômico, que mantém estruturas empresariais e meios de comunicação com dinheiro de sangue e suor dos outros. Daí vem a outra pista: a concentração destes meios de comunicação é tão anormal no Brasil, que permite que meia dúzia de midias e órgãos de imprensa ditem o que será recebido como informação, desvirtuando os dados com os quais as pessoas formam sua opinião. Já viu no que dá isso: o que um não estraga o outro acaba. Essa onda de pessimismo e de semear notícias ruins tem objetivo e vem sendo desenvolvida há algum tempo. Sem contar os programas idiotizantes com os quais somos brindados diariamente. Visa apenas a dar desesperança, pão e circo. Nada mais que isso. Onde já se viu pobres com renda para entrar numa loja de grife – e comprar. E viajar de avião ainda. Do meu lado? Negros na universidade. Onde acabaremos? E as mulheres querendo ganhar o mesmo que homens…. daqui uns dias vão querer que cuidemos da casa. Sem falar nestes pervertidos do LGLT que fazem tudo à luz do dia – e na nossa frente! Essa é a visão da elite que ainda domina nossa sociedade. E tudo o que querem é acabar com esta festa toda. Nem todos concordam com os meios com os quais isso será feito, mas como tudo o que importa são os objetivos… Nivela tudo por baixo. Bate duro nas conquistas sociais. Espalha o negativismo. E, fazer o que, incentiva a intolerância e a retomada dos ideiais conservadores. Acaba sendo um caminho natural para eles. O retorno às origens e ao aceitável. Esperam com isso, acabar com tudo que aí está. Conseguirão? A resposta a essa pergunta pode ser algo de que eles não gostarão.
Richard de Souza, operário, dekassegui no Japão. Texto publicado na revista Escrita 40.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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