A militante, escritora e artista boliviana Maria Galindo participa na sexta-feira (21), às 18h, de um encontro aberto no Auditório do Centro de Integração Lélia Gonzalez, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). O debate trata do enfrentamento às diferentes formas de violência contra a mulher e das condições reais de vida na região da […]
A militante, escritora e artista boliviana Maria Galindo participa na sexta-feira (21), às 18h, de um encontro aberto no Auditório do Centro de Integração Lélia Gonzalez, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). O debate trata do enfrentamento às diferentes formas de violência contra a mulher e das condições reais de vida na região da Tríplice Fronteira.
Ativista anarcofeminista aborda lutas populares, despatriarcalização e acolhe relatos de violência contra mulheres na fronteira. Evento gratuito reúne debate sobre ação direta, certificações internacionais e canal de escuta para mulheres da Fronteira. – Foto: Reprodução
O encontro terá um espaço de acolhimento e escuta aberto para mulheres da região apresentarem relatos e denúncias sobre situações de violência, com orientação direta sobre encaminhamentos práticos. A atividade inclui a entrega de certificações conjuntas da Unila, da ODM Internacional e da organização Mulher Impacto Mundial (MIM). A entrada é gratuita mediante inscrição online.
Com trajetória iniciada nos anos 1990, Maria Galindo construiu sua atuação política na rádio, na televisão e na ação direta nas ruas, combinando arte e mobilização popular. Ao lado de mulheres de diferentes classes e orientações sexuais, fundou na Bolívia o coletivo Mujeres Creando, criado para enfrentar o machismo, a homofobia, a exploração capitalista e as heranças coloniais. Por causa de suas intervenções contundentes no espaço público e pichações de protesto nos muros das cidades, Galindo foi presa diversas vezes.
Para a ativista, a libertação das mulheres não virá de cargos no Estado, de teorias distantes nem de discursos individuais, mas do trabalho conjunto no dia a dia e da solidariedade entre as próprias trabalhadoras. O Mujeres Creando mantém ações práticas de economia solidária, como a gestão coletiva de fundos de poupança por mulheres de cooperativas populares, articulando trabalhadoras informais e a população LGBTI+.
Essa prática nas ruas sustenta o que a autora chama de “feminismo bastardo”, uma linha de atuação que recusa cartilhas acadêmicas e a cooptação por partidos ou governos. Galindo faz críticas abertas à teoria queer — que define como uma formulação de e para as elites — e condena o uso burocrático da categoria de gênero quando colocada a serviço de interesses neoliberais. A militante defende que a mudança real nasce de “alianças insólitas” e da voz das mulheres que vivem nas periferias.
No debate político regional, Galindo formulou a tese da Despatriarcalização em 2013, conceito que a própria autora afirma ter sido distorcido e esvaziado pelo governo de Evo Morales na Bolívia. Entre seus livros publicados estão Ninguna mujer nace para puta (2007, escrito com Sonia Sánchez), No se puede descolonizar sin despatriarcalizar (2013), Feminismo urgente: ¡A despatriarcar! (2014) e Feminismo bastardo (2021), que conta com prefácio de Paul B. Preciado e edições no Brasil, na Argentina, no Chile, no Peru, no México e na Itália.
No campo artístico, Galindo participou da documenta de Kassel, na Alemanha, da Bienal de Veneza, na Itália, e de duas edições da Bienal de São Paulo. Ela é a única artista boliviana a ter produções em vídeo integradas ao acervo do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madri (Virgen Barbie, Virgen Cerro e América). A artista impôs como condição para a venda que os trabalhos permanecessem abertos ao público, com exibição gratuita no acervo digital do Mujeres Creando.
A organização da atividade na Unila reúne as Promotoras Legais Populares da Fronteira, a Unila, a ODM Internacional e o movimento MIM – Mulher Impacto Mundial.
SERVIÇO Encontro com Maria Galindo e certificações internacionais
Sexta-feira, 21 de agosto, 18h No auditório do Centro de Integração Lélia Gonzalez – UNILA (Foz do Iguaçu, PR)
Inscrições gratuitas pelo formulário oficial: https://forms.gle/KYrXrejEHGYTLkPd7
Realização: Promotoras Legais Populares da Fronteira, UNILA, ODM Internacional e MIM – Mulher Impacto Mundial
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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