A Itaipu Binacional e os prefeitos dos municípios lindeiros do Lago de Itaipu se reuniram, no dia 9 de abril, para discutir a estruturação de um plano de turismo náutico para a região. A reunião, convocada pelo Conselho dos Municípios Lindeiros, teve a participação de gestores municipais, técnicos da usina e especialistas internacionais em roteiros […]
A Itaipu Binacional e os prefeitos dos municípios lindeiros do Lago de Itaipu se reuniram, no dia 9 de abril, para discutir a estruturação de um plano de turismo náutico para a região. A reunião, convocada pelo Conselho dos Municípios Lindeiros, teve a participação de gestores municipais, técnicos da usina e especialistas internacionais em roteiros náuticos e é parte de um processo que já tem calendário e metodologia definidos.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, destacou o diálogo como fundamento da relação entre a usina e os lindeiros e lembrou que a gestão atual já investiu mais de R$ 160 milhões nas comunidades da região. “O turismo é algo que pode mudar a vida de muita gente. Isso aumenta muito a renda das pessoas, permite que aquele agricultor que vive da sua produção agregue uma renda que ele não tinha, com muito menos trabalho”, explicou o diretor. .
Projeto que pode impulsionar a economia da região Oeste do Paraná já conta com sugestões de roteiros e cronograma de encontros com os 16 municípios – Foto: Edino Krug/Itaipu Binacional
. A gerente da Divisão de Iniciativas de Turismo da Itaipu, Aline Teigão, apresentou o Masterplan do Turismo Náutico do Lago de Itaipu, um projeto de escala regional que integra infraestrutura pública, parcerias privadas e um sistema de segurança tecnológica para viabilizar a navegação em seus 170 quilômetros de extensão.
Um masterplan (ou plano diretor) é um documento estratégico de longo prazo que define a visão, os objetivos e as diretrizes para o desenvolvimento de um projeto ou empreendimento de forma integrada e organizada. Esse estudo foi desenvolvido em parceria com o Itaipu Parquetec e consultores internacionais da Ocean Eyes Productions, especializados emturismo náutico sustentável. O estudo rompeu com a tradição de planejar a partir da terra, adotando a perspectiva de quem está na água olhando para a margem. “Eles [Ocean Eyes] ficaram 15 dias no lago e apresentaram algumas propostas e alguns pontos de vista que a gente que olha para o lago todo dia, muitas vezes, nem consegue ter”, contou Aline Teigão.
Os estudos da Ocean Eyes também identificaram pontos críticos de assoreamento e contaminação em alguns braços do lago, o que exigirá intervenções de saneamento e recuperação de matas ciliares por parte das prefeituras. “Temos um compromisso ambiental que se impõe sobre qualquer outra coisa”, observou Enio Verri.
Representantes dos municípios lindeiros e diretores da Itaipu Binacional reunidos – Foto: Sara Cheida / Itaipu Binacional
O diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, contextualizou o momento como “o começo de algo grandioso para o turismo náutico da região” e ressaltou que o diferencial desta iniciativa está no método: ao invés de grandes estruturas planejadas externamente, o processo parte de estudos técnicos e do diálogo direto com os municípios. “A Itaipu pode contribuir um pouco, o município um pouco, o Estado outro pouco e juntar esses investimentos a partir de projetos que sejam viáveis”, disse Carboni.
Um componente essencial para a viabilização comercial do lago é a Carta Náutica. Aline Teigão explicou que a Itaipu está em diálogo avançado com a Marinha do Brasil para integrar todos os dados coletados pela Usina em um documento oficial de navegação. “A autoridade competente da carta náutica é a Marinha. Já faz mais de um ano que estamos em conversa para efetivar esses dados, principalmente para a região dos paliteiros (árvores submersas), que é a mais complexa”, afirmou a gerente.
A Carta Náutica é considerada uma medida urgente para substituir a navegação instintiva pela segurança técnica, permitindo o mapeamento de profundidades (batimetria) e a sinalização de obstáculos submersos, como rochas e galhadas, que representam riscos aos visitantes. Além de garantir a integridade física dos navegantes, esse documento técnico, construído em parceria com a Marinha, é visto como o passo fundamental para profissionalizar o turismo no Lago de Itaipu.
Os especialistas internacionais apresentaram uma primeira proposta de roteiros náuticos organizados por nível de prontidão. Os roteiros de um dia já identificados incluem:
Nível 4 – Prontos para operação:
Expedição Paraná-Piquiri (Guaíra, Terra Roxa e Mundo Novo): navegação com visualização do antigo leito das Sete Quedas e encontro das águas. Foco em pesca esportiva sustentável (pesque-e-solte), com alta prontidão graças à expertise dos guias locais já estabelecidos.
Nível 3 – Quase prontos:
Conexão Natureza (Medianeira e São Miguel do Iguaçu): navegação silenciosa no Rio Ocoy, gastronomia rural ítalo-germânica a bordo e pôr do sol no Morro da Salete. Requer mapeamento de viabilidade em função de assoreamento e necessidade de infraestrutura de apoio náutico.
Entre os demais roteiros em desenvolvimento estão: Entre Ilhas e História (Norte de Guaíra); Do Azul ao Dourado (Itaipulândia e Missal); Horizonte Náutico (Santa Terezinha de Itaipu e Foz do Iguaçu); Caminhos do Lago (Mercedes e Marechal Cândido Rondon); Entre Pontes e Remansos (Entre Rios do Oeste e Pato Bragado); Do Refúgio ao Diamante (Santa Helena, Diamante d’Oeste e São José das Palmeiras); e Remansos de Guaíra (Sul de Guaíra).
O Masterplan prevê um conjunto de estruturas e equipamentos a serem implantados nos municípios, que incluem: píeres, rampas, poitas, calçadas, ciclovias, iluminação, mobiliário urbano, playground, sistemas de vigilância e infraestrutura tecnológica. Na área ambiental, o plano também contempla limpeza do espelho d’água com manejo de macrófitas, gestão de resíduos, sistemas fotovoltaicos e melhoria nos acessos viários.
O diretor de Turismo do Itaipu Parquetec, Yuri Benitez, contextualizou o papel do parque tecnológico como elo técnico entre poder público, setor privado e acadêmico. Para ele, o grande salto ainda está por vir: tirar o turismo das margens e levá-lo para o interior do lago. “Hoje, o turismo já acontece nas margens, em balneários, áreas de lazer e circuitos de ciclismo. A provocação é voltar nosso olhar para o lago e fortalecer a navegação”, disse Benitez.
Entre os dias 13 e 17 de abril, técnicos da Itaipu e do Itaipu Parquetec realizarão a Expedição do Masterplan — uma série de visitas presenciais a todos os 16 municípios lindeiros para levantamento de potencialidades, projetos existentes e demandas de infraestrutura. Na sequência, entre 16 e 28 de abril, serão realizadas as Oficinas do Masterplan, encontros municipais para alinhamento técnico e apresentação dos resultados dos estudos.
“O Lago de Itaipu é uma riqueza natural de valor incomensurável. É difícil traduzir, em poucas palavras, o conjunto de benefícios que essa estrutura pode gerar para a região. Com a abertura e o diálogo promovidos pela Itaipu, os municípios passam a enxergar novas possibilidades e a projetar, de forma mais concreta, o desenvolvimento econômico ligado a esse segmento”, disse o presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros do Lago de Itaipu, Antônio França Benjamim.
Presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros do Lago de Itaipu, Antônio França Benjamin – Foto: Sara Cheida / Itaipu Binacional
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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