– Um poema de Agostinho Neto – . . O choro durante séculos nos seus olhos traidores pela servidão dos homens no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas nos batuques choro de África nos sorrisos choro de África nos sarcasmos no trabalho choro de África . Sempre o choro mesmo na vossa alegria […]
. O choro durante séculos nos seus olhos traidores pela servidão dos homens
. Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal meu irmão Nguxi e amigo Mussunda no círculo das violências mesmo na magia poderosa da terra e da vida jorrante das fontes e de toda a parte e de todas as almas e das hemorragias dos ritmos das feridas de África
. e mesmo na morte do sangue ao contato com o chão mesmo no florir aromatizado da floresta mesmo na folha no fruto na agilidade da zebra na secura do deserto na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens
. o choro de séculos inventado na servidão em historias de dramas negros almas brancas preguiças e espíritos infantis de África as mentiras choros verdadeiros nas suas bocas o choro de séculos onde a verdade violentada se estiola no circulo de ferro da desonesta forca sacrificadora dos corpos cadaverizados inimiga da vida
. fechada em estreitos cérebros de maquinas de contar na violência na violência na violência
. O choro de África é um sintoma
. Nos temos em nossas mãos outras vidas e alegrias desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas – por nós! E amor e os olhos secos.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
Assine as notícias da Guatá e receba atualizações diárias.