Poema reproduzido da edição 135, do jornal Cândido. . .o deserto de sinais estamos voltando para grifolux. miriápolis não dava mais. juntamos nossas coisas e atravessaremos o deserto de sinais. é verdade, aprendemos muitas canções em miriápolis. mas quase esquecemos como lateja o vivificante sol de grifolux. deixamos convivendo no cercadinho: brutos e mansos de […]
.o deserto de sinais
estamos voltando para grifolux. miriápolis não dava mais. juntamos nossas coisas
e atravessaremos o deserto de sinais. é verdade, aprendemos muitas canções
em miriápolis. mas quase esquecemos como lateja
o vivificante sol de grifolux. deixamos convivendo no cercadinho: brutos e mansos de coração, vales e montanhas, relicários e estantes de tábuas e tijolos, claridade e a escuridão. como quando dentro da noite do espírito pingasse uma gota de bem-aventurança.
viver esta sede era o que nos possibilitava ao meio-dia ouvirmos noturnos de chopin, com alguns amigos escrever o guia do amor descomplicado, permitir à vida que nos comovesse enquanto assava-se pão para toda a semana. agora chovesse sobre miriápolis, tamborilando em vasos e latas no quintal enquanto nos distanciávamos indo para grifolux onde sobretudo sabíamos florescer
o jardim de si.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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