O rio não é somente água. É memória em movimento. É um ancião que ensina em silêncio. Em suas águas vivem histórias Que não estão nos livros. O rio sabe confluir, Sabe seguir Sem esquecer de onde veio. Mas o rio também adoece. E quando adoece, Leva com ele a vida. Então eu pergunto: Que […]
O rio não é somente água. É memória em movimento. É um ancião que ensina em silêncio.
Em suas águas vivem histórias Que não estão nos livros. O rio sabe confluir,
Mas o rio também adoece. E quando adoece, Leva com ele a vida. Então eu pergunto:
Que rio você é?
Um rio de águas limpas, Que acolhe, nutre e segue? Ou um rio poluído, Ferido pelo descaso, Ressentimento, mágoa Pela violência, pelo desamor? Um rio abandonado Por mãos que deveriam proteger.
E mais: Que rio você quer ser?
Porque o rio que corre no beiradão É o mesmo que corre dentro, no coração. Se as águas se turvam, O mundo também escurece. Então cuida do rio que te atravessa.
Cuida da palavra. Cuida do gesto. Cuida do chão onde pisa.
Porque proteger o rio Não é somente um gesto ambiental. É um compromisso com o sagrado, É garantir que a vida continue A contar sua própria história.
. Poema e fotografia: Márcia Kambeba / Aldeia Mapuera – PA
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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