O tempo enfiou-me o cansaço das bíblias e dos ídolos sob as retinas. Cristalizou-me a esperança e volatizou-me o medo costurando o amor e o ódio no rebanho de luas. O tempo deu-me filhos amigos, inimigos, pessoas que rondaram meu coração como lobos como cordeiros ou ainda como companheiros O tempo negou-me paz e pressa […]
O tempo
enfiou-me o cansaço das bíblias e dos ídolos sob as retinas. Cristalizou-me a esperança
O tempo deu-me filhos amigos, inimigos, pessoas que rondaram meu coração como lobos como cordeiros ou ainda como companheiros
O tempo negou-me paz e pressa rabiscou-me rugas e cicatrizes soprou-me alegrias e tristezas dependurou-me sobre a vida
O tempo enxergou-me espiando pelas lascas das teorias e metendo o dedo em feridas encharcadas nos bairros
O tempo deu-me cabelos brancos e paciência. Deu-me a certeza da dúvida como motor do mundo.
Poema de Nilson Monteiro, poeta e jornalista em Curitiba, Pr. Texto publicado na Revista Escrita nº 20.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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