– Um poema de Carla Santos – Orgânica Sou Mulher de carne e osso! Sou de verdade. Verdadeira. Como a terra, madre primera. POSSO dar a vida e o seu alimento. Sendo vida: nasço, cresço e desvaneço [desapareço!?] Sou de verdade! Não sou de gesso. Mas quebro, trinco, sofro e adoeço. Não sou de […]
Orgânica
Sou Mulher de carne e osso! Sou de verdade. Verdadeira.
POSSO dar a vida e o seu alimento. Sendo vida: nasço, cresço e desvaneço [desapareço!?]
Sou de verdade! Não sou de gesso. Mas quebro, trinco, sofro e adoeço. Não sou de aço! mas enfrento até o laço. LUTO. [há muitos lutos] Luto a luta que é de muitos. O capital e o patriarcado adoecem todos os seres. Mas quais irão enfrentá-los? A LUTA me veio com o ultraSOM. A vagina me proporcionou antes a dor do que o prazer.
Sou de verdade! Grito. Mijo. Choro. Suo. Gozo. Amo. Canto. Leio. Rio. Crio. Construo. Trabalho.
Sou mulher de carne e osso! Sou de verdade. Me transformo a cada dia desde a maternidade. Sou Orgânica, E sigo construindo minha identidade.
____________________________________ Carla Santos é professora de educação fundamental e estudante de Antropologia em Foz do Iguaçu, Pr.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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