Um poema de Carol Miskalo no país da inclusão preconceito é coisa do passado basta ligar a tevê e saberá do que falo dona branca diz sem pressa “preconceito aqui não existe no carnaval estamos juntos na avenida não tem ninguém triste” e se a pele é negra a escravidão é marcada é pobre, é […]
no país da inclusão preconceito é coisa do passado basta ligar a tevê
e se a pele é negra a escravidão é marcada é pobre, é boa, gentil e dorme no quarto da empregada se a pele é preta é forte, alto, cheio de disposição é maloqueiro, jardineiro, tantos eiros que me falta adjetivação
ministro, juiz, deputado polícia, mídia, aparelhos da burguesada fazem limpeza étnica e social embranquecendo a pátria amada se a culpa é branca “vamos mudar a cara do culpado branco, rico não pode ser preso preto, pobre já nasce condenado”
mas no país da inclusão preconceito é coisa do passado é só andar por aí pra saber do que eu falo dona branca diz “ele é preto mas é educado é bom, limpinho só que é preto de cabelo pixaco”
no país da inclusão o preconceito é velado aceito, semi-oculto muito propagado no país da inclusão a negritude só é bem vista em 20 de novembro e no carnaval se é sambista
nesse país que se esconde atrás de uma cara pouco hostil pobre morre a toda hora na guerra civil condenados, enganados assassinados de maneira brutal esse país sem preconceito se chama brasil dos bons costumes e boa moral
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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