Clique aqui e receba notícias no seu WhatsApp O choro forma uma ponte entre o sentimento e o nome Entre o silêncio e o nome das coisas Antes de eu morrer, quero chorar esses silêncios Antes desse dia, quero chorar tantos silêncios Os nomes que eu não soube dar às coisas A concretude Quero saber […]
O choro forma uma ponte entre o sentimento e o nome Entre o silêncio e o nome das coisas Antes de eu morrer, quero chorar esses silêncios Antes desse dia, quero chorar tantos silêncios Os nomes que eu não soube dar às coisas A concretude Quero saber o concreto das coisas por seus nomes Sua densidade Sem nome, as coisas são água Escorrem por dentro de nós Sem o nome das coisas, não são somente as coisas que não existem Nós também não existimos Sem saber nomear Somos apenas silêncio É o nome que precipita a lágrima É a lágrima que nos diz quem somos Somos o que somos capazes de chorar É, portanto, a lágrima que nos dá nome É, portanto, a lágrima que nos diz quem somos Diga-me por quê chora e direi quem você é Como o nome vem de cada lágrima As coisas têm infinitos nomes Antes de morrer, quero chorar o nome de cada coisa A coisa se apresenta para nós de uma maneira inusitada A coisa se apresenta para nós de maneira única É o choro, portanto, que faz a ponte com os outros É a lágrima que diz que podemos ser pontes entre tantos É a lágrima que nos conecta nesse mundo de silêncios Vivemos entre tantos Nos olhamos, tropeçamos, não nos entendemos Não sabemos a coleção de nomes que cada um de nós carrega Precisamos chorar com urgência Ou teremos vivido isoladamente entre silêncios Entre águas Entre a liquidez desses vazios Entre tantos rostos sem face Sem nome Sem choro Entre tantos gestos sem significado Entre tantos e tantos que não são Entre tantos desconhecimentos Precisamos com urgência aprender o nome das coisas Aprender a conhecer Disso depende nossa alma A infinidade de nomes dá corpo a nossa alma Disso depende nossa existência Muitos morremos sem face Muitos morremos sem nome Muitos morremos sem alma Chorar: essa necessidade imperiosa Qué pasa si la lágrima nos seca?
Como ser? Como existir?
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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