Hoje fui tomar meu café. Como de costume. Fiz aquele prato reforçado: cuscuz, carne de costela, bacon, ovo… e mais umas coisinhas. Olhei para o prato e pensei: — Cadê o meu cuscuz? Tinha tanta coisa por cima que eu quase não via a base. Na hora eu disse: — Eu tenho que achar o meu […]
Hoje fui tomar meu café.
Como de costume. Fiz aquele prato reforçado: cuscuz, carne de costela, bacon, ovo… e mais umas coisinhas.
Olhei para o prato e pensei:
— Cadê o meu cuscuz?
Tinha tanta coisa por cima que eu quase não via a base.
Na hora eu disse:
— Eu tenho que achar o meu cuscuz!
E coloquei mais cuscuz por cima. Mas depois percebi… ele já estava lá. Sustentando tudo. Mesmo escondido.
Às vezes a vida fica assim. Cheia de camadas.
Responsabilidades, expectativas, coisas acumuladas.
E a gente se pergunta:
— Cadê eu nisso tudo?
Mas a base continua ali. Firme. Segurando o que vem por cima.
Ah… e como de costume, eu tomo café. Mas hoje acrescentei leite.
Porque às vezes a gente também pode mudar a mistura.
No final? Comi. (Foi depois de tirar sangue, inclusive ). E fiquei plena.
Porque cuscuz é vida, minha gente. E quem tem raiz não se perde. Só reorganiza o prato.
(Fotografia: autorretrato de Jaquelini Marquezin)
. Leia também: O palhaço, poema de Jaquelini Marquezim
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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