– Jornalista londrinense lança romance retratando o período da ditadura militar no país – (*) Texto de Marcos Losnak ‘Tempos de Cigarro Sem Filtro’ traz um retrato do período da ditadura militar a partir da ótica de pessoas que não estavam conscientes dos acontecimentos. Em seu romance de estreia, o jornalista José Maschio […]
‘Tempos de Cigarro Sem Filtro’ traz um retrato do período da ditadura militar a partir da ótica de pessoas que não estavam conscientes dos acontecimentos. Em seu romance de estreia, o jornalista José Maschio faz um retrato do período sombrio da ditadura militar a partir da ótica de pessoas humildes. Pessoas simples tentando sobreviver na periferia das cidades. Pessoas que não estavam conscientes dos acontecimentos que abalaram o Brasil na década de 1970. Lançado pela editora Kan, a obra narra a história de Jaso e Maria, um casal unidos pela miséria. Jaso trabalha com dois garotos, Lozinho e Ruço, roçando mato e abrindo valas. Realizando trabalho de adultos, os meninos rapidamente abandonam a infância e experimentam as crueldades do mundo e das desigualdades sociais. Com o tempo, Ruço e Lozinho seguem caminhos diferentes. Ruço torna-se um militante na luta contra a ditadura militar. Lozinho torna-se um boêmio da malandragem e da jogatina. Mas ambos, de maneiras diferentes, trombam com a violência e o abuso de poder. [box type=”info”] FRAGMENTO: “Sexta-feira, onze horas. E Maria chega com o rango de Jaso. É uma senha. Os moleques alertam os sentidos. Ficar de olho na comida de Jaso. É sagrado. Se na comida de Jaso tiver carne, é grana certa no sábado. Senão, quindou fiofó, desesperança certeira. Semana no fio, Jaso a olhar de espreitada, a se desculpar e cobrar, cobrar trabalho e se desculpar, patrão não veio, dinheiro chega logo. Mas tem dias bons. Como aquele em que depois do almoço Jaso ofereceu paçoquinha de sobremesa. Na marmita de Ruço, só arroz e picadinho de mamão verde refogado. Lozinho tinha rango melhor: feijão, arroz e um ovo olhudo, na verdade, parte de um olhudo. Melhor que a paçoquinha, esfarelenta, entre salgada e doce, foi que Lozinho tinha um maço de Mistura Fina, sem filtro. E ofereceu um a Ruço. Jaso também aceitou o seu. Fumar em silêncio, descansar os braços e as pernas estropiadas. Era quase um gozo.” (Fragmento de ‘Tempos de Cigarro Sem Filtro’, de José Maschio)[/box]
“Tempos de Cigarro Sem Filtro” será lançado no próximo dia 22 de agosto (terça-feira) no Sesc Londrina Cadeião, 19:30h. A seguir José Maschio fala sobre o romance que ele define como uma história sobre perdas e danos.
Maschio: “Tudo que está no livro é real. Aconteceu. O livro tem muito de observação e vivência, como repórter e como militante contra a ditadura. O que eu fiz foi juntar esses fatos reais e criar personagens para o desenvolvimento da narrativa.”
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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