– No Ecomuseu da Itaipu, exposição de Alice Ruiz celebra o Dia Internacional da Mulher – Mostra reúne fragmentos de vários livros de Alice Ruiz. (Foto: JIE/A equidade de gênero sempre fez parte da obra de Alice Ruiz, poeta curitibana que, neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, inaugura a exposição Poeta Alice, […]
Mostra reúne fragmentos de vários livros de Alice Ruiz. (Foto: JIE/A equidade de gênero sempre fez parte da obra de Alice Ruiz, poeta curitibana que, neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, inaugura a exposição Poeta Alice, no Ecomuseu da Itaipu. A abertura da mostra, às 19 horas, tem entrada gratuita para o público em geral. A exposição faz uma retrospectiva da carreira de Alice em três expressões artísticas que, na visão da autora, constituem gêneros literários bastante distintos e independentes: o haikai (forma poética de origem japonesa, normalmente em três versos, que remete à natureza e à meditação); a poesia ocidental em papel (com influência do concretismo e do simbolismo, apesar de não se declarar uma concretista ou simbolista per se) e letras de músicas, muitas das quais resultaram em parcerias com artistas como Arnaldo Antunes, Alzira Espíndola, Itamar Assumpção e outros nomes da MPB.
Alice Ruiz: “Foz é uma cidade em que eu me sinto em casa. Para mim, é uma super-homenagem” (Foto: JIE)
Para Alice, a exposição no Ecomuseu é uma combinação de diversas emoções. “Primeiramente porque é raro você receber homenagem em vida. Em segundo lugar, porque é uma emoção muito grande ver as minhas filhas (Aurea e Estrela Leminski, curadoras da mostra) cuidando disso tudo. E uma das grandes questões na minha vida, desde sempre, é a condição da mulher. Daí culmina que tudo isso acontece no Dia da Mulher. E aqui, em Foz, que é uma cidade em que eu me sinto em casa. Para mim, é uma super-homenagem.”
Sobre as duas outras expressões artísticas presentes na mostra, a poesia em papel e letras de música, Alice dá sua própria definição: “A poesia em papel é o amor e a letra de música é paixão. Porque a relação com a poesia é um tempo que você investe. É uma construção. Já a letra de música é como a paixão. Ou é avassaladora, ou nem te toca”. Atenta a qualquer questão de gênero subliminar à linguagem, a escritora rapidamente detecta qualquer insinuação de que seu trabalho derive da produção de Leminski. Ressalta que a relação era de troca. Um influenciava o outro e é difícil delimitar e definir as influências de cada um. “Tem muita coisa que a gente tem que fazer nesse território de homens e mulheres”, dispara, antes que a pergunta sobre Leminski seja concluída. “Na verdade, o que acontece com pessoas que se amam e convivem é que aprendem uma com a outra”, acrescenta. A grande contribuição de Leminski para a produção literária de Alice foi, nas palavras da autora, sua “biblioteca incrível”. “Já conhecia muitos autores e alguma teoria poética. Mas, evidentemente, a biblioteca dele me abriu muitas perspectivas”, conta. “Havia também a forma como a gente conduzia o cotidiano, sempre falando de literatura, antenados, falando sobre o que tinha de novo e, principalmente, sendo o primeiro interlocutor um do outro, sendo o primeiro leitor do poema que tinha acabado de sair. E éramos rigorosíssimos. Por 20 anos foi assim”, completa.
[box] MOSTRA LEMINSKI Paralelamente a “Poeta Alice”, o Ecomuseu também apresentará a exposição Meu Coração de Polaco Voltou, que revela as origens e as influências polonesas na obra de Paulo Leminski. Os assuntos são divididos por temas e a mostra é composta por painéis, com cerca de 40 peças originais: fotos do acervo particular, livros e documentos do artista. Também será exibido o documentário Vida e Sangue de Polaco do premiado diretor Sylvio Back, no qual Paulo Leminski faz um depoimento sobre sua descendência polonesa. [/box]
Ambas as exposições permanecerão no espaço cultural mantido pela Itaipu até o próximo dia 30 de setembro. Serviço: Exposições Poeta Alice, de Alice Ruiz, e Meu Coração de Polaco Voltou, de Paulo Leminski. De 8 de março a 30 de setembro de 2017. Ecomuseu da Itaipu (Av. Tancredo Neves, 6001 – Foz do Iguaçu, PR). O Ecomuseu está aberto de terça-feira a domingo, das 8h às 17h. Ingresso: R$ 12 (moradores dos municípios lindeiros ao lago de Itaipu não pagam entrada). Mais informações: www.turismoitaipu.com.br. Leia também: Eco Poema
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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