Reproduzido do jornal Cândido, edição 03, de outubro de 2011. Os açúcares das frutas me arrombaram um jardim a meio caminho de trincar nos dentes a doce areia, seus cristais de mel. À vibração do que chamamos vida, onde os adjetivos todos desintegram-se, o Senhor da vida olhava-me como olham os reis as servas com […]
À vibração do que chamamos vida, onde os adjetivos todos desintegram-se, o Senhor da vida olhava-me como olham os reis as servas com quem se deitam.
Desde agora, pensei, basta dizer “os açúcares das frutas” e o jardim se abrirá sob o mesmo poder da antífona sagrada: “Ó portas, levantai vossos frontões!”
Adélia Prado nasceu em Divinópolis (MG), em 1936, onde reside até hoje. Já publicou vários livros, entre romances, contos, poemas e literatura infantojuvenil. Entre eles, Bagagem (Imago, 1976), O homem da mão seca (Siciliano, 1994), Quero minha mãe (Record, 2005) e o mais recente Carmela vai à escola (Record, 2011). Foi agraciada com o prêmio Jabuti por Coração disparado (Nova Fronteira, 1978).
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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