Ao todo, foram produzidos quatro podcasts que contam mitos iorubás e indígenas. Episódios são acompanhados de sugestões de atividades para serem realizadas em sala de aula. Disponíveis para acesso gratuito. Iansã Borboleta, Oxóssi da Floresta, Mani da Oca, Estrelas Bororo. Esses mitos brasileiros de origem afro-ameríndia se tornaram temas de podcasts para serem utilizados em […]
. Para Vanessa, prevalece no modelo escolar brasileiro uma tendência eurocentrista, em que mitos não possuem caráter lógico-racional e são categorizados como elementos do campo das superstições. “Muito antes do surgimento da Filosofia, e com ela o uso da Razão (logos) para explicar essencialmente a vida, já existiam os mitos e os ritos como sistemas complexos de conhecimento, transmissão de saberes e formas de interpretar o mundo”, afirma.
A pesquisa está dividida em três partes. Nos dois primeiros capítulos, a autora propõe uma discussão teórica sobre o conceito de mito e o uso didático da narrativa mítica em aulas de História. O último capítulo é dedicado à apresentação da proposta da audioteca e sugestões de atividades pedagógicas com base no conteúdo dos episódios. O trabalho está disponível aqui.
Os quatro podcasts trazem narrativas de origem iorubá e indígena, sendo uma da etnia Guarani, e a outra da etnia Bororo. Cada áudio tem, aproximadamente, quatro minutos de duração e é acompanhado de sugestões de atividades para serem realizadas nas aulas de História ou em aulas interdisciplinares. Entre as propostas estão desenhos e pinturas, releituras, criação de textos, de roteiros e peças teatrais, produção de maquetes, cenários e recital de poesias.
A escolha da criação de uma audioteca, intitulada “Contos da terra”, vai em encontro à tradição oral dos povos originários. Por meio de efeitos sonoros, os áudios remetem a uma roda de “contação” de histórias, estimulando a imaginação dos ouvintes. “Ao ouvir os podcasts, gostaria que eles gerassem essas sensações de estarem na natureza, em volta de uma fogueira, remetendo a histórias contadas pelos mais velhos para as gerações mais novas, ancoradas na valorização da ancestralidade”, conta.
Os quatro podcasts trazem narrativas de origem iorubá e indígena, sendo uma da etnia Guarani, e a outra da etnia Bororo – Foto: montagem/Pixa Bay.
No episódio “Oxóssi da floresta”, por exemplo, os alunos são provocados a refletirem sobre o sincretismo religioso, resultado da associação de orixás a santos católicos. Também há uma sugestão de atividade sobre intolerância religiosa envolvendo charges e tirinhas de jornais. Já no episódio “Estrelas Bororo”, a proposta é que os estudantes pesquisem sobre o domínio da astronomia pela etnia Bororo e também montem uma encenação teatral com os elementos do mito indígena.
“As explicações míticas e religiosas, configuram as formas primeiras de explicação do mundo, vivas na experiência, na memória e na psique da humanidade desde o surgimento dos primeiros grupos sociais até agora, e por isso, a meu ver, deveriam ser mais presentes nos processos educativos”, conclui Vanessa.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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