Ídolo do Atlético Mineiro nos anos 70, o jogador sofreu perseguição do governo ditatorial. A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania concedeu perdão e uma indenização de R$ 100 mil ao ex-atacante Reinaldo, ídolo do Atlético Mineiro, em reconhecimento à perseguição que sofreu durante a ditadura militar. O ex-jogador, que […]
A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania concedeu perdão e uma indenização de R$ 100 mil ao ex-atacante Reinaldo, ídolo do Atlético Mineiro, em reconhecimento à perseguição que sofreu durante a ditadura militar. O ex-jogador, que também jogou pela seleção brasileira na Copa de 1978, relatou ter sido monitorado pelo Sistema Nacional de Informações (SNI) e perseguido no ambiente esportivo.
A decisão foi tomada por unanimidade na sessão da terça passada (2). Reinaldo ficou famoso por suas comemorações de gols com o punho cerrado, gesto inspirado no movimento dos Panteras Negras, que simbolizava sua oposição ao regime militar.
Ele explicou, durante sua fala na comissão, que a repressão não se limitava à violência física, mas envolvia campanhas de difamação e tentativas de destruir a reputação e a vida social de quem era visto como inimigo do regime. Essas ações, segundo ele, tinham consequências devastadoras na vida das pessoas.
A decisão de anistiar Reinaldo foi comemorada pelo ex-jogador, que destacou a importância da memória e da justiça de transição para que erros da ditadura não se repitam. “Todos nós sabemos dos horrores da ditadura que tiraram a vida de tantos brasileiros”, afirmou.
O ex-atacante Reinaldo. – Foto: Divulgação/Clarice Castro/MDHC
Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, esteve presente na sessão e citou a relevância do caso de Reinaldo para a memória e justiça no Brasil. Ela afirmou que o esporte sempre teve um papel importante na defesa da democracia e na luta antirracista.
Após sua carreira no futebol, Reinaldo ingressou na política. Filiado ao PT, foi eleito deputado estadual em Minas Gerais em 1990 e vereador em Belo Horizonte em 2004. Sua trajetória política também reflete seu compromisso com a justiça social e a defesa dos direitos humanos.
A Comissão de Anistia, que é um órgão vinculado diretamente à ministra de Direitos Humanos, tem a função de analisar e recomendar concessões de anistia a vítimas de perseguição política durante a ditadura militar. Os casos analisados devem ter comprovação inequívoca da perseguição sofrida, como no caso de Reinaldo, que finalmente obteve o reconhecimento por sua luta e contribuição histórica.
A conselheira Rita Maria de Miranda Sipahi apresentou o voto reconhecendo que a perseguição política foi determinante no desfecho da carreira do jogador. A presidente do colegiado, Ana Maria Lima de Oliveira, destacou o impacto social do caso e o papel de figuras públicas que se posicionaram em defesa da democracia em momentos de alta repressão.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, enfatizou a relevância histórica do reconhecimento: “Reinaldo é parte da memória de resistência do Brasil. Sua coragem demonstra que o esporte também foi um espaço de enfrentamento à ditadura.”
Criada pela Lei nº 10.559/2002, a Comissão é responsável por analisar violações cometidas entre 1946 e 1988, incluindo a perseguição de artistas, atletas, professores, trabalhadores e militantes atingidos pelo regime militar.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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