– Um texto de Fernanda Regina da Cunha – Tava aqui pensando nisso… Nos últimos tempos tenho tido cada dia mais nítida a sensação de que os sentimentos estão se esvaindo por um ralo muito escuro chamado individualismo. Digo, alguns sentimentos. Poderíamos imaginar que são sinais dos tempos, a evolução do ser humano […]
– Um texto de Fernanda Regina da Cunha –
Tava aqui pensando nisso… Nos últimos tempos tenho tido cada dia mais nítida a sensação de que os sentimentos estão se esvaindo por um ralo muito escuro chamado individualismo. Digo, alguns sentimentos. Poderíamos imaginar que são sinais dos tempos, a evolução do ser humano em ser robotizado e sobretudo, prático, que não perde tempo com coisas sem importância. Afinal, tempo, já dizia nosso amigo capitalista “é dinheiro”. Estaríamos mesmo caminhando para este futuro? Não tenho a resposta, mas ao mesmo tempo penso naqueles que ainda não se adaptaram ao novo modelo, àqueles que ainda sentem e se sentem mal diante e do que lhes é apresentando. A sensibilidade por vezes pode até incomodar e os sensíveis são vistos como fracos, depressivos, chatos, enfim, quem nunca encontrou um desses por aí? Eles estão se tornando raros, cada vez mais escondidos, mas ainda existem. Empatia deixou a moda já faz tempo. A dor do outro não dói na gente e hoje o que vale mesmo é a rápida e urgente demonstração de força e poder (mesmo que frequentemente sem qualquer conexão com a realidade). Ah, quantas vezes nos vemos diante de situações forjadas para exibir uma verdade que gostaríamos ou que alguém gostaria. No mundo atual não temos mais permissão para sofrer, para ficar tristes e angustiados. Para tudo isso existe uma saída rápida, existe uma felicidade instantânea. Aliás, felicidade é um sentimento permitido, assim como o ódio travestido de algum tipo de indignação. O sentir hoje passa por uma chancela de críticos vorazes e eles irão reagir ao menor sinal daquilo que eles acreditam ser fraqueza. Não é!
Fernanda Regina da Cunha é jornalista na cidade do Rio de Janeiro, RJ.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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