Um poema de Tula Pilar Ferreira Sou uma CarolinaTrabalhei desde meninaNa infância lavei, passei, engraxei…Filhos dos outros embalei Sou negra escritora que virou notícias nos jornaisFoi do Quarto de Despejo aos programas de TV Sou uma CarolinaEscrevo desde meninaMeus textos foram rasgados, amassados, pisoteadosForam tantos beliscõesPelas bandas lá de MinasEu sou de Minas Gerais Fugi […]
Sou uma CarolinaTrabalhei desde meninaNa infância lavei, passei, engraxei…Filhos dos outros embaleiSou negra escritora que virou notícias nos jornaisFoi do Quarto de Despejo aos programas de TVSou uma CarolinaEscrevo desde meninaMeus textos foram rasgados, amassados, pisoteadosForam tantos beliscõesPelas bandas lá de MinasEu sou de Minas GeraisFugi da casa da patroaVassoura não quero ver maisA caneta é meu troféuBorda as palavras no papelÉ tudo o que quero dizerSou uma CarolinaFeminino e poesiaA negra escritora que foi do Quarto de Despejoaos programas na TVHoje uso salto altoVestido decotado, meio curto e com babadosEstou na sala de estarNo meu sofá aveludadoPorque…Sou uma CarolinaFeminino e poesiaPobreza não quero maisA caneta é meu troféuBorda as palavras no papelÉ tudo o que quero dizer…Carolina…
____________________________ Tula Pilar Ferreira (1970-2019). Poeta, dançarina, atriz, ex-empregada doméstica, vendedora.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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