Poema reproduzido do jornal Cândido, edição de novembro de 2023. Crédito da Foto: D. Mordzinski Una Mujer Duró largas horas convulsas el trabajo de parto, entre inútiles gestos ajenos y gemidos y ruegos. Una niña, la primera, nació. Bordó, bordó, bordó la tela blanca, con diminutos puntos de colores, llenos de la alegría que ella […]
Crédito da Foto: D. Mordzinski
Una Mujer
Duró largas horas convulsas el trabajo de parto,
(Reducción del infinito, 2002)
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Uma Mulher
Durou várias horas convulsas o trabalho de parto, entre inúteis gestos alheios e gemidos e preces. Uma menina, a primeira, nasceu. Bordou, bordou, bordou o tecido branco, com diminutos pontos coloridos, cheios da alegria que ela apenas imaginava. As costas doloridas se deformam, os olhos já não veem o horizonte, apenas o desenho obsessivo. Finalmente, conclui o quechquemitil. Planta e arranca e debulha, mói, pica e mexe, arranca-lhe o rosto, cobrem-lhe as mãos cicatrizes claras. Seu cabelo se enfraquece, já sem cor nem brilho, e suas carnes são vencidas Às vezes sonha (o quê?) Às vezes pensa (acaso?) quase nunca recorda. É uma região pronta para acolher a morta, o dia exato, como a ovelha que se perdeu na noite.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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