Após o mês inteiro de captação de imagens na principal locação, a equipe do longa “Vila Pérola” – assinado pelo diretor Felipe Lovo -, encerra as filmagens em Foz do Iguaçu esta semana. Na cidade foram captadas as principais imagens no bairro que dá nome ao filme, além de locações externas em diferentes cenários que incluíram […]
Após o mês inteiro de captação de imagens na principal locação, a equipe do longa “Vila Pérola” – assinado pelo diretor Felipe Lovo -, encerra as filmagens em Foz do Iguaçu esta semana. Na cidade foram captadas as principais imagens no bairro que dá nome ao filme, além de locações externas em diferentes cenários que incluíram Jardim América, Ponte da Amizade e Cataratas do Iguaçu.
Equipe segue para o Paraguai para concluir filmagens do longa com previsão de lançamento em 2027. No destaque, a atriz Guenia Lemos – Foto: Marcos Labanca
Ao longo do mês de maio, o grupo de quase 200 pessoas, entre equipe e elenco, se revezou nas gravações de cenas que retratam o cotidiano de uma família de compristas que sobrevive da muamba. Um dos desafios enfrentados foi a mudança drástica de temperatura, e chuvas. “A gente precisou superar o calor e o frio, mas deu tudo certo”, disse Eduardo Borelli, que interpreta um dos protagonistas do filme, Rafael.
Para ele, conhecer de perto a realidade da fronteira também contribuiu para a formação do personagem. “A gente acaba tendo uma visão muito sudestina do que é a fronteira, uma visão estigmatizada. E estando aqui a percepção muda completamente e o filme mostra essa realidade político-social que poucas retratam”, disse. Além da preparação, Borelli e elenco fizeram uma imersão na fronteira. “Isso me ajudou demais a compreender a história e a realidade do meu personagem, e também a desestigmatizar. Me sinto descobrindo novas realidades”.
Cena de “Vila Pérola”. No destaque, a dupla de protagonistas, Eduardo e Daniel
O jovem ator Daniel Ferreira (Diogo), que interpreta seu primeiro papel como protagonista, também reconhece no roteiro a familiaridade de uma realidade muito próxima. “Algumas pessoas da minha família trabalharam com muamba durante muito tempo. Sou muito grato por estar na minha cidade, sendo protagonista desse filme que fala sobre as pessoas daqui”.
A atriz, Guenia Lemos que interpreta a mãe de Rafael, avaliou com satisfação sua passagem pela fronteira. “Quando li o roteiro, entendi que seria a primeira vez em 35 anos como atriz que este é um filme brasileiro de corpo e alma. Porque fala do povo brasileiro pelo viés da muamba, por isso tem essa possibilidade de alcance no mundo. Ele fala de relações humanas, amorosas, mas ao mesmo tempo, um forte cunho social de uma comunidade, dos muambeiros que nunca foi olhada”.
A participação de uma equipe diversa, de múltiplos sotaques e também foi elogiada pela atriz. “Foi muito prazeroso fazer parte deste projeto”. Entre equipe e figuração, o longa conta com mais de 200 pessoas envolvidas nas gravações. Profissionais de Curitiba, São Paulo, Porto Alegre, Porto Esperança, Assunção, e uma equipe de alunos e ex-alunos do curso de Cinema (Unila), vindos da Venezuela, Bolívia e Cuba. Além da representatividade LGBTQIAPN+ .
As últimas gravações na cidade acontecem nesta quinta-feira (28), na Avenida Brasil (17h), e nas Cataratas, segunda e terça (até 14h). Depois disso, as filmagens seguem para o outro lado da fronteira, em Ciudad del Este, e Assunção, no Paraguai, onde encerra as captações.
O filme é uma produção da Três Margens, e conta com a coprodução da Viola Filmes (SP) e Átomo Produtora (PY). Fundação Cultural e Secretaria de Turismo de Foz apoiam o projeto com a disponibilidade de segurança e logística.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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