(*) Em sua edição de número 46 (novembro / dezembro de 1992), o jornal Nicolau publicou uma matéria sobre “três das muitas vertentes de uma obra que, para além dos gêneros, se quer empenhada apenas na depuração do óbvio”. Wilson Bueno, o editor e assunto da reportagem, não participou da produção daquelas páginas, avisava uma nota. Assinado […]
.
Voy a naufragar en el Mar Paraguayo Só pra te assustar — añaretãmeguá! Voy a naufragar vieja loca que soy Vieja loca perdida, vieja loca señora Tan dolorida — añaretãmeguá! Me voy a morir en el Mar Paraguayo Y acerte llorar. Porque isso fizeste: Me fizeste chorar com essa língua de flor Estilete-tulipa-añaretãmeguá! Vou correndo pro mar, “entrepernas” noturnas Colorir e embalar O teu texto de cunas — añaretãmeguá! Que remansos! Que babas! Que salivas candentes! Que cobras tão meninas! Que cabras-asinas-añaretãmeguá! Voy a naufragar en tu Mar Paraguayo Só pra te assustar. E ficar cativa Da tua rede de teias Da tua língua de pêlos Do teu corpo vermelho Amado andirá-añaretãmeguá!
*
Elucidário
AÑARETÃMEGUÁ: infernal; coisa infernal. ANDIRÁ: morcego.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
Assine as notícias da Guatá e receba atualizações diárias.