O texto faz parte de uma série que o autor publica em redes sociais. #CrônicaDiária002 . . Sempre tive uma dificuldade enorme em me fazer claro e, também, compreender de forma clara o que boa parte dos seres humanos à minha volta expressam. Desde criança gostei muito de ler crônicas – leituras curtas, com ironia […]
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. Sempre tive uma dificuldade enorme em me fazer claro e, também, compreender de forma clara o que boa parte dos seres humanos à minha volta expressam. Desde criança gostei muito de ler crônicas – leituras curtas, com ironia sutil e fina que possibilitam leitura com movimento tal qual um filme ou música. Com sete anos, no início da minha alfabetização formal, eu havia lido os livros de Apocalipse e de Daniel, sem entender nada, porém achei tudo muito divertido. Pode ser que por isso, após essa experiência mística literária, optei pelas crônicas. . Essa dificuldade de me fazer entender mesmo usando todos os recursos literários e de expressão que aprendi com estudo e esforço me levaram a uma conclusão: ou sou burro demais ou a média das pessoas que me cercam o são. Concordei que poderia ser ambas coisas ou nenhuma delas. Toda vez que falo algo e não sou entendido eu me sinto muito frustrado. Sinto que sou limitado intelectualmente ao mesmo tempo que sinto o mesmo de quem não me compreende. . Para a filosofia religiosa iorubá, Exú é o Orixá da Comunicação. Seu culto pede que o vivente saiba se comunicar de forma clara, objetiva, temperando a coisa com fina ironia e a poesia do deboche. Ao mesmo tempo seu culto pede silêncio… O que realmente é difícil de entender sem viver a experiência de tentar se comunicar sem falar. Isso segue um caminho parecido com a obra missionária de Francisco de Assis que diz que devemos evangelizar sempre e falar apenas quando se faz muito necessário, ou seja, a pregação é pela ação e exemplo. Como cristão tenho em Jesus a imagem da Palavra Verdadeira e a dificuldade de me fazer claro aos demais sempre foi frustrante no patamar cósmico e teológico do meu ser interior. . Recentemente comecei a escrever crônicas ao modo antigo moderno (entenda quem entender), na linha de Fernando Sabino e Rubem Braga – temos que ter pretensões altas nesta vida. Passei um texto para um amigo que prontamente respondeu: . — Entendo nada do que você escreve. . — É que você é burro pra caramba! – prontamente respondi, na voz interior, apenas no pensamento; é melhor ser feliz do que ter razão. .
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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