O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, celebrado neste domingo (8), será marcado por mobilização pública em Foz do Iguaçu. Mais de 20 organizações sociais, sindicais e coletivos feministas convocam a população para um ato unificado, na Praça da Paz, no centro da cidade, reforçando que o combate ao feminicídio e às desigualdades estruturais não pode […]
O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, celebrado neste domingo (8), será marcado por mobilização pública em Foz do Iguaçu. Mais de 20 organizações sociais, sindicais e coletivos feministas convocam a população para um ato unificado, na Praça da Paz, no centro da cidade, reforçando que o combate ao feminicídio e às desigualdades estruturais não pode ser tratado como pauta restrita às mulheres.
A mobilização ocorre em um cenário nacional alarmante. Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios — média de quatro mulheres assassinadas por dia. Embora o país possua marcos legais reconhecidos internacionalmente, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio no Código Penal, os números indicam que a violência de gênero segue como um problema estrutural. .
Mobilização unificada reforça que o enfrentamento ao feminicídio não é apenas uma pauta feminina, mas um dever de toda a sociedade iguaçuense. – Foto: divulgação
O 8 de Março remete às mobilizações operárias do início do século 20, especialmente ao movimento “Pão e Paz”, quando cerca de 90 mil trabalhadoras russas foram às ruas em 1917 reivindicando melhores condições de trabalho e de vida. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, consolidando-se como marco global de luta por direitos.
Mais de um século depois, a pauta permanece atual. No Brasil, mulheres recebem, em média, 22% a menos que homens no mercado de trabalho e ocupam apenas 17,7% das cadeiras no Congresso Nacional. Além disso, acumulam jornadas múltiplas, combinando emprego formal, trabalho doméstico e cuidado familiar.
Para as organizadoras, os dados demonstram que igualdade formal ainda não se traduziu em igualdade real.
Entre as lideranças da mobilização está a professora Madalena Ames, da APP-Sindicato/Foz, que destaca a dimensão política da data.
O Dia Internacional da Mulher representa não apenas uma celebração das conquistas, mas um lembrete da necessidade contínua de transformação social. A construção de uma sociedade mais igualitária exige quebrar estereótipos e eliminar barreiras estruturais que ainda limitam o desenvolvimento pleno das mulheres, da dupla jornada de trabalho à violência de gênero, diz Madalena Ames, militante da APP-Sindicato/Foz.
Ela também aponta que o debate precisa alcançar a esfera municipal, com efetividade nas políticas públicas.
Acompanhamos posicionamentos de vereadores em que homens querem ditar o que é melhor para as mulheres iguaçuenses. E as políticas públicas precisam ganhar celeridade, com garantia de orçamento e aplicação técnica, precisam ser efetivadas, sair da propaganda. Madalena Ames, militante da APP-Sindicato/Foz.
Os organizadores reforçam que a violência contra a mulher não é um problema doméstico ou individual, mas uma questão social. Cada caso de agressão ou feminicídio representa ruptura coletiva que exige resposta institucional e cultural.
O enfrentamento passa por políticas públicas estruturadas, fortalecimento da rede de proteção, educação para igualdade de gênero e compromisso permanente do poder público nas três esferas — municipal, estadual e federal.
A mobilização também defende o fim da precarização do trabalho feminino, igualdade salarial, ampliação da presença das mulheres nos espaços de decisão e enfrentamento ao racismo e às opressões estruturais.
Ato unificado — Dia Internacional da Mulher Trabalhadora Data: domingo, 8 de março 9h: concentração na Rua Quintino Bocaiúva com JK (próximo à Feirinha) 9h30: panfletagem em direção à Praça da Paz 10h: ato unificado na Praça da Paz
Obs.: Devido ao aumento da temperatura, recomenda-se levar água e protetor solar.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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