– Bubas: projetos da UNILA resgatam o debate sobre direito à moradia adequada e uso dos espaços urbanos – O direito à moradia adequada integra a Declaração Universal dos Direitos Humanos (oficializada em 1948), mas é desconhecido por aqueles que mais precisam dele. Na Ocupação do Bubas, localizada no Porto Meira, bairro da zona […]
O direito à moradia adequada integra a Declaração Universal dos Direitos Humanos (oficializada em 1948), mas é desconhecido por aqueles que mais precisam dele. Na Ocupação do Bubas, localizada no Porto Meira, bairro da zona sul de Foz do Iguaçu, os moradores passaram a entender que podiam lutar por esse direito a partir de ações dos projetos de pesquisa “Observatório de Remoções” e de extensão “Reestruturação Urbana e Social da Fronteira”. O resultado mais recente foi a negativa, pela Justiça, da reintegração de posse da área (leia mais). Maior ocupação urbana do Paraná, com 40 hectares, o Bubas recebeu professores e estudantes da UNILA em 2015, quando contava dois anos de existência – embora alguns moradores estivessem ali há mais de 40 anos. “A população passou a conhecer melhor os seus direitos e a entender que eles podem ter apoio da Universidade. Penso que a pesquisa deve sempre buscar interferir nos processos da cidade”, afirma a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo Cecília Angileli, coordenadora dos projetos. Hoje, a ocupação conta com mais de mil famílias – 5 mil pessoas. Roseli Nori dos Santos mora no Bubas com o marido e três filhos desde o primeiro dia da ocupação, há quatro anos e oito meses. Ela divide a liderança local com Adriano Angelo Nascimento, seu compadre e que empresta o nome para a rua onde ambos moram: Rua do Compadre. Para Roseli, o trabalho desenvolvido pelo projeto foi fundamental para a permanência das famílias na área. “Os moradores têm um respeito muito grande pelo pessoal da UNILA pelo projeto correto que fazem, pelo trabalho sério. Se não fosse a UNILA, talvez não haveria mais a ocupação Bubas. Foi eles que nos ensinaram nossos direitos”, comenta. [box type=”bio”] “A gente conseguiu mostrar para o juiz que o nosso bairro estava organizado, que a gente tinha rua, que a gente sabia quantas famílias tinha aqui dentro” (Dona Rose)[/box] No papel de líder, dona Rose faz o “censo” dos moradores, busca assistência, faz a mediação de conflitos. “A gente tem de estar 24 horas alerta. Mãe, conselheira, vigilante. Aqui a gente faz de tudo um pouco”, explica. “Essa é a maior ocupação do Paraná e é a mais tranquila que tem.” Para Nascimento, liderança é apoiar os moradores. “A gente se sente honrado por estar aqui ajudando as pessoas que realmente precisam. Estamos na luta junto com eles”, diz. Levantamento – Em 2014, lembra a professora Cecília, o Bubas já estava com o processo de reintegração de posse determinado. “Nessa negociação, a proposta era que os moradores fossem transferidos para a Gleba Guarani, um local que não tem infraestrutura”, conta Cecília. O direito universal à moradia adequada foi o primeiro tema a ser tratado com os moradores. “Quando começamos a trabalhar esse tema, eles perceberam que poderiam exigir mais e que era direito deles lutar.” “Todos que moram aqui já eram de barranca de rio, de área de risco, pagavam aluguel, mas eram da região do Porto Meira. A gente não acostuma em outro bairro. É a casa da gente”, comenta dona Rose, que espera a regularização da área. “Ninguém aqui quer nada de graça. Todos querem pagar, na medida do possível, preço acessível. Queremos que negociem com os moradores. Ou que os governos tomem alguma providência. Ninguém quer nada de graça. Pessoal ocupou essa área pela necessidade de moradia mesmo”, completa.
Movimento dos moradores ao tempo da Audiência de Mediação, em 2016
As placas das ruas , produzidas em mutirão por moradores, professores e estudantes da Unila.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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