– Um poema de Lara Aragão – Gente que não existe Gente que não sente dor Gente que não tem valor Gente que não importa Gente que não chora Gente que não tem nome Gente que some Gente que não pode ter lugar Gente que não merece falar Gente que queremos apagadas Ou no […]
Gente que não existe Gente que não sente dor Gente que não tem valor Gente que não importa Gente que não chora Gente que não tem nome Gente que some Gente que não pode ter lugar Gente que não merece falar Gente que queremos apagadas Ou no mínimo encarceradas Gente que queremos assalariadas E humilhadas no chão de fábrica Gente que a gente não quer nem saber Gente que a gente não quer nem ver Gente que não é gente Gente que não comove a gente Gente que não tem sentimento Gente que pode dormir no relento Gente que pode sangrar Gente que não pode lutar Gente que não é gente Gente que não tem voz Gente que não tem vez Gente que insiste em ser gente Gente que faz insurreição E leva firme em todo discurso e canção Que vale a pena morrer por um pedaço de chão Gente que tem suas próprias cores Gente que cultiva seus tipos de amores Gente que grita mais alto que o disparo Gente que não reconhece cerca nem magistrado Gente que tem sua própria lei Gente que ninguém cala Gente que ninguém enterra Gente que ninguém mata Gente que sempre volta Gente que sempre insiste Gente que não se abala Gente que defende sua própria pátria. ________________________________ Lara Aragão é estudante de Direito em Navegantes, SC. O poema foi publicado na revista Escrita, 49
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
Assine as notícias da Guatá e receba atualizações diárias.