O poema integra a coletânea “Gaza, Terra da Poesia”, publicado em 2022 pela editora Tabla. Tradução do original em árabe de Alexandre Facuri Chareti. Ilustração sem título (2023), da palestina Heba Zagout. JOGUINHO Quem apaga a guerra dentro de mim e me empresta um pouco de esquecimento? Quem redefine minha noite e a dos rebeldes mais eminentes […]
Sem título, de Heba Zagout, pintora palestina morta num bombardeio em Gaza, no ano de 2023
JOGUINHO
Quem apaga a guerra dentro de mim e me empresta um pouco de esquecimento? Quem redefine minha noite e a dos rebeldes mais eminentes embaixo dos destroços? Quem devolve nossos passos às calçadas e devolve a elas seus nomes? Há alguém que se atreva a beliscar minha bochecha diante da falta de sono e da fúria do bombardeio? Alguém aqui corajoso o bastante para amaldiçoar a guerra escondida em nosso pão? Alguma janela onde eu reúna as nuvens do fim do dia e impeça a noite de dar os primeiros passos? É possível comprar uma língua e um coração tranquilo? Quem sabe assim eu possa falar da carnificina ou apagar, talvez, o fogo da guerra dentro de mim.
Poema reproduzido do livro “Gaza, Terra da Poesia”, editado pela Tabla Editora.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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