Cerca de 800 mulheres de diferentes regiões do Paraná participam, entre os dias 9 e 10 de março, do Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra. As atividades serão realizadas em Rio Bonito do Iguaçu, Laranjeiras do Sul e Guarapuava, na região Centro do Estado. A programação integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem […]
Cerca de 800 mulheres de diferentes regiões do Paraná participam, entre os dias 9 e 10 de março, do Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra. As atividades serão realizadas em Rio Bonito do Iguaçu, Laranjeiras do Sul e Guarapuava, na região Centro do Estado. A programação integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, realizada em todo o país em referência ao Dia Internacional das Mulheres.
O encontro combina formação política, mobilização social e ações de solidariedade, reunindo trabalhadoras rurais de assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária, além de mulheres da cidade. A Jornada também terá caráter de denúncia das violências contra as mulheres e da crise ambiental causada pelo avanço do agronegócio. .
Na imagem em destaque, Marcha das Mulheres Sem Terra no 8 de Março de 2025, em Reserva do Iguaçu. – Foto: Ana Clara Garcia Lazzarin / arquivo MST
.
“Neste 8 de março, as mulheres Sem Terra do Paraná estão se mobilizando com um caráter de solidariedade e denúncia. Depois do tornado que atingiu a região Centro do Estado, entendemos que nossa jornada precisa acontecer lá, com ações de apoio às comunidades atingidas. Vamos reunir mulheres de todo o estado para marchar, fazer formação, atividades culturais e reafirmar a luta pela Reforma Agrária Popular e pelo enfrentamento das violências”, afirma Carla Dalepiane, da direção do Coletivo de Mulheres do MST no Paraná.
No dia 9 de março, ocorre a principal mobilização pública do encontro. As participantes realizam uma marcha pelas ruas de Rio Bonito do Iguaçu, com concentração às 8h30 em frente ao Posto Amigão, na BR-158. A caminhada segue até o antigo Colégio CERBI, onde acontece o seminário “Os impactos da crise ambiental, mulheres e agroecologia”, reunindo representantes de movimentos sociais, instituições públicas e especialistas para debater os efeitos da crise climática sobre a vida das mulheres do campo.
Durante a tarde, as participantes realizam um ato de solidariedade, com partilha de alimentos, entrega de 3 mil cestas para pessoas atingidas pelo tornado na área urbana de Rio Bonito e acampamentos do Movimento nos municípios vizinhos, além da distribuição de mudas medicinais e frutíferas. A programação também contará com apresentações culturais, incluindo intervenções de maracatu.
No dia 10 de março, as atividades seguem com ações de solidariedade em áreas de Reforma Agrária atingidas pelos tornados registrados no Paraná em novembro de 2025. As mulheres participarão de plantios de árvores, caminhadas e visitas às comunidades afetadas.
Em Rio Bonito do Iguaçu, a ação ocorrerá na comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio, com o plantio de cerca de 5 mil mudas em áreas degradadas, como parte das iniciativas da Jornada da Natureza. Também haverá atividades no acampamento Antônio Conrado, onde será realizado plantio de árvores em áreas impactadas pelos ventos fortes. Já em Guarapuava, está prevista uma visita ao assentamento Nova Geração, com plantio de árvores e ações de solidariedade às famílias atingidas.
A jornada das mulheres do MST no Paraná tem como lema, em 2026: “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar”. Segundo as organizadoras, a palavra de ordem expressa três dimensões centrais da luta das mulheres Sem Terra: o enfrentamento das diferentes formas de violência, a continuidade da luta pela terra e o fortalecimento da organização popular nos territórios de Reforma Agrária.
A escolha de Rio Bonito do Iguaçu como sede da jornada das mulheres está ligada aos impactos dos tornados que atingiram a região Centro-Sul do Paraná em 7 de novembro de 2025, conforme explicou Carla Dalepiane. Na ocasião, tempestades severas provocaram ao menos três tornados que atravessaram 11 municípios do estado, deixando mortos, centenas de feridos e grande destruição em áreas urbanas e rurais. Desde então, o MST no Paraná organiza ações de apoio às famílias atingidas, processo que segue mobilizando militantes e organizações parceiras.
Entre as autoridades convidadas para acompanhar as atividades estão representantes do Incra, Ibama, Ministério das Mulheres, Itaipu Binacional, Prefeitura Municipal de Rio Bonito do Iguaçu e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS, Campus Laranjeiras do Sul). O evento é organizado com apoio do projeto Semeando Gestão, fruto do convênio entre a Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR) e a Itaipu Binacional, por meio do Programa Mais que Energia, alinhado ao Governo do Brasil, e o Comitê de Cultura do Paraná.
Partilha de 30 toneladas de alimentos em Rio Bonito do Iguaçu (PR), no Natal Solidário da Esperança, em dezembro de 2025. – Foto: Wellington Lenon / MST
SERVIÇO Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra – MST Paraná 9 e 10 de março de 2026 Rio Bonito do Iguaçu, Laranjeiras do Sul e Guarapuava (PR)
9 de março 8h30 – Concentração em frente ao Posto Amigão (BR-158) 9h – Marcha até o antigo Colégio CERBI 10h às 12h – Seminário “Os impactos da crise ambiental, mulheres e agroecologia” 12h – Almoço 13h30 às 15h30 – Ato de solidariedade, partilha de alimentos e entrega de mudas Apresentações culturais ao longo do dia
10 de março 8h – Café e mística no assentamento 8 de Junho em Laranjeiras do Sul 9h – Ações de solidariedade nas áreas de Reforma Agrária e luta pela terra atingidas pelo tornado de novembro de 2025 no Paraná
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
Assine as notícias da Guatá e receba atualizações diárias.