– Um texto de Karina Moschkowich – Era uma turma de segundo ano (8 anos). Eu era a professora e não finalizamos o ano letivo juntos porque mudei de Estado. No tempo em que estivemos juntos usamos nossas experiências como fonte de desejo de aprendizagem. E entre sorrisos das lembranças e os […]
– Um texto de Karina Moschkowich –
Era uma turma de segundo ano (8 anos). Eu era a professora e não finalizamos o ano letivo juntos porque mudei de Estado. No tempo em que estivemos juntos usamos nossas experiências como fonte de desejo de aprendizagem. E entre sorrisos das lembranças e os choros da partida deixei uma carta que contava parte de nossa história. E assim dizia… Lembram-se da lagarta que entrou no sapato para fazer seu casulo e transformar-se em borboleta? Lembram “Da unha do dedão do pé do fim do mundo do Manoel de Barros”? É isso! Que nossas vidas sejam para sempre assim! De alegrias, brincadeiras e transformações. Em teatro há uma coisa chamada CACO, que é quando o ator insere uma fala que não está no roteiro e que, na maioria das vezes, dá graça e encantamento aquele texto. Então desejo que nossas vidas sejam feitas de metamorfoses, “cacos” e brincadeiras. E que os nossos quintais sejam sempre os maiores do mundo! Que possamos fazer “peraltagem” com as palavras. Que o ponto final no voo do pássaro seja sempre uma escolha de vocês e não uma imposição. Que coloquem chuvas no fim de tarde e que questionem sempre o que lhes tentarem impor. Que façam planejamentos sim, mas que eles não os amarrem na busca de solucionar questões. Que a experiência seja a melhor forma de aprender. Que a alegria seja sempre o meio de alcançar o objetivo. Que o objetivo seja sempre a porta de entrada ao novo e nunca um fim. Que o fim seja o meio de construir um novo plano para seguir em frente. Que o tradicional, o antigo seja resgatado e preservado no que ele tem de melhor, mas que o novo possa ser vivido, refletido e reinventado. Que fabriquem seus brinquedos, que deixem os dias leves e que a dúvida nunca fique para depois, mesmo que precise ir atrás de fontes que não estavam planejadas ou “permitidas” para aquele dia. E, por fim, que guardem com vocês a lembrança dos momentos legais que estivemos juntos. E que saibam que todos os “Cacos”, foram introduzidos em nossos textos para aprendermos, juntos, que a vida vai bem além do planejado e que experiência e reflexão refletem em aprendizagens libertadoras e significativas. Vou levar comigo todos os sorrisos e gargalhadas que demos juntos, nossas conversas sobre coisas da vida, nossas aprendizagens e o carinho e respeito que sempre tivemos uns pelos outros dentro de nossa turminha. Gratidão sempre a todos vocês pelo carinho.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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