O livro “O Garimpeiro da Memória”, de autoria do historiador estadunidense Jacob Blanc, foi premiado pelo Canadá, como o melhor estudo sobre América Latina e Caribe. Segundo a Academia Canadense, “Searching for Memory: Aluízio Palmar and the Shadow of Dictatorship in Brazil”, abre novos caminhos na reconstrução da história brasileira por meio da vida de […]
O livro “O Garimpeiro da Memória”, de autoria do historiador estadunidense Jacob Blanc, foi premiado pelo Canadá, como o melhor estudo sobre América Latina e Caribe. Segundo a Academia Canadense, “Searching for Memory: Aluízio Palmar and the Shadow of Dictatorship in Brazil”, abre novos caminhos na reconstrução da história brasileira por meio da vida de um indivíduo.
Segundo a Academia Canadense o livro é resultado de rigorosas pesquisas documentais e orais. – Imagem: divulgação
No livro, Blanc coloca a vida e o ativismo de Aluízio Palmar no centro de uma discussão mais ampla sobre política e resistência social, destacando os ideais e princípios que motivaram aqueles que resistiram aos regimes autoritários, mesmo ao custo de sua liberdade e de suas vidas.
Por meio do conceito de “roteiro de memória”, o livro ilumina os processos epistemológicos pelos quais as pessoas compartilham certas memórias de certas maneiras, as relações entre diferentes plataformas de memória e o que a narração da memória revela sobre como um indivíduo compreende seu lugar na história.
Combinando pesquisa rigorosa com uma narrativa fluida entre passado e presente, Searching for Memory revitaliza a literatura histórica sobre um período difícil da história do Brasil, convidando-nos a refletir não apenas sobre uma vida notável, mas também sobre nossas próprias ideologias políticas e nosso lugar no mundo.
A premiação é comemorada pelos “brasilianistas”, James Green e Christopher Dunn. Para ambos, o livro O Garimpeiro da Memória, é notável, devido ao rigor científico e seriedade do autor.
Capas das edições brasileira e canadense do livro de Jacob Blanc – Imagem: reprodução
. Jacob Blanc era professor na Escócia quando começou, em 2019, o seu trabalho de pesquisa que deu origem ao livro O Garimpeiro da Memória. Atualmente, Blanc é professor da Universidade MacGil e é autor de diversos livros traduzidos para o português, entre eles Antes do Dilúvio: Itaipu e A Coluna Prestes: Uma história do interior.
Para escrever a biografia de Aluizio Palmar, Jacob Blanc realizou 25 entrevistas ao longo de dois anos, num total de quarenta horas, cruzou informações e buscou comprovações nos arquivos públicos e nos relatórios das Comissões da Verdade.
As agressões e o confinamento em cela solitária ocorreram em múltiplos centros de detenção no estado e no país. Palmar relatou ter passado pela Delegacia de Polícia de Cascavel, pelo Batalhão de Fronteiras em Foz do Iguaçu, pelo quartel da Polícia do Exército em Curitiba, pelo Centro de Informações da Marinha e por estruturas situadas nas ilhas das Cobras e das Flores, no Rio de Janeiro, sofrendo choques elétricos, afogamentos e pau de arara executados à luz do dia.
Aluízio Palmar, ativista em Foz do Iguaçu – Foto: Marcos Labanca/H2Foz
Em 1971, o jornalista foi banido para o Chile ao lado de outros 69 presos políticos na operação de libertação do embaixador suíço Giovanni Bucher. Com o golpe militar de Salvador Allende em 1973, transferiu-se para o interior da Argentina com a família, onde viveu sob clandestinidade até novo golpe de Estado no país vizinho em 1976, fato que o obrigou a destruir seus registros pessoais para evitar perseguições.
Com a promulgação da Lei da Anistia, Palmar fixou residência definitiva em Foz do Iguaçu. Na cidade, fundou em 1980 o jornal Nosso Tempo, veículo que circulou por 15 anos reportando violações de direitos humanos. Ele também é autor do livro-reportagem “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, que apurou o assassinato de seis militantes no Oeste paranaense. Atualmente, atua no Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, no Comitê de Acompanhamento da Sociedade Civil na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e gerencia o portal Documentos Revelados, acervo digital que reúne mais de 80 mil registros históricos da ditadura militar.
Edição em inglês – Searching for Memory: Aluízio Palmar and the Shadow of Dictatorship in Brazil, The University Carolina Press Edição em português – O Garimpeiro da Memória – Editora Garamond – Rio de Janeiro
AQUISIÇÃO:
O livro O Garimpeiro da Memória, de autoria de Jacob Blanc, pode ser adquirido no Brasil diretamente através do site da Editora Garamond.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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